
Pema e Thiago estão juntos há 18 anos, têm três filhos e transformaram a própria experiência de casal em campo de investigação, prática e trabalho. Mas talvez o aspecto mais bonito desta conversa seja justamente a ausência de qualquer idealização sobre o que significa construir uma relação duradoura. Eles falam de amor, cuidado e parceria, mas também de brigas, distanciamento, crises, terapia, sexualidade, individualidade e momentos em que a separação chegou a ser considerada. A intimidade que existe hoje não apareceu pronta: foi sendo conquistada. Um dos conceitos centrais da conversa é o de segurança afetiva. Não como ausência de insegurança ou conflito, mas como a possibilidade de dizer o que está acontecendo dentro de si e confiar que o outro poderá permanecer presente. É aprender a se vulnerabilizar, escutar, recuar quando necessário, reparar e, sobretudo, sair da lógica da competição para entrar numa dança mais colaborativa. Pema e Thiago também propõem uma imagem interessante para compreender as relações: uma parte importante do vínculo nasce da ressonância — proximidade, diálogo, cuidado, confiança — enquanto outra nasce da polaridade, da diferença entre duas pessoas. Sem uma base segura, a diferença facilmente vira guerra. Com segurança, pode se transformar em curiosidade, complementaridade, desejo e erotismo. A sexualidade aparece, então, não apenas como sexo, mas como campo de consciência. Foi justamente quando decidiram olhar mais profundamente para essa dimensão que começaram também a recuperar algo que havia se perdido entre trabalho, filhos, espiritualidade e vida cotidiana: a capacidade de se enxergarem novamente como homem e mulher, parceiros e indivíduos. Outra descoberta importante aconteceu quando começaram a perceber que permanecer juntos não significava fazer tudo juntos. Encontrar ritmos próprios, espaços individuais e autonomia permitiu que continuassem sendo um casal sem precisar desaparecer dentro dele. Talvez seja essa uma das ideias que mais ficam desta conversa: uma relação viva precisa permitir aproximação e distância, pertencimento e individualidade, segurança e diferença. E esse aprendizado não termina no casal. Com três filhos entrando na adolescência, Pema e Thiago percebem que o campo de segurança construído entre eles também se tornou uma espécie de chão para a família. Um lugar onde temas difíceis — sexualidade, relações, drogas, sofrimento, escolhas — podem ser conversados sem que seja necessário fingir que os adultos têm todas as respostas. No fundo, este diálogo é menos sobre como fazer um casamento funcionar e mais sobre algo maior: como duas pessoas podem continuar se transformando sem necessariamente precisar se abandonar pelo caminho. Uma conversa sobre intimidade, sexualidade, segurança afetiva, vulnerabilidade, masculino e feminino, criação dos filhos e a difícil — e bonita — arte de aprender a amar um pouco melhor ao longo do tempo. — GePeTo Para saber mais sobre Pema & Thiago, acesse: @intimidadeconsciente (no instagram) To hear more, visit maucuri.substack.com