
Há quase duas décadas, Ana Thomaz deixou São Paulo em direção ao interior. O que começou como uma mudança de paisagem foi se tornando uma investigação muito mais profunda: como viver sem simplesmente reproduzir os modos de vida que recebemos? Neste diálogo, Ana conta a trajetória que levou à criação das comunidades onde vive hoje e à chegada de uma nova experiência, a Vila Entre. Mas a conversa vai muito além da vida comunitária. Falamos sobre o “não saber” como espaço de criação, sobre presença, liberdade, propriedade, relações, desapego e sobre a coragem de abandonar antigas certezas para permitir que outras formas de vida possam emergir. Ana propõe uma distinção especialmente bonita entre coerência e consistência. Em uma vida que está permanentemente em movimento, talvez mudar de ideia, de caminho e até de crença não seja incoerência. A consistência pode estar justamente em continuar se transformando. Conversamos também sobre autopoiese — a autocriação que acontece nas relações — e sobre uma sociedade que parece ter permanecido presa a uma espécie de adolescência coletiva. Para Ana, tornar-se adulto passa por assumir responsabilidade pelo que sentimos e fazemos, deixando de transformar toda relação numa disputa ou numa defesa de nós mesmos. No final, chegamos a uma questão ainda mais delicada: o sofrimento psíquico crescente e o distanciamento das pessoas de sua própria força vital. Ana lembra que existe sempre uma possibilidade de retorno — ao corpo, à presença, à natureza, às relações e à experiência direta da vida. Talvez esta conversa seja, sobretudo, um convite para reconhecer o espaço que existe entre aquilo que já conhecemos e aquilo que ainda não sabemos. É justamente ali que alguma coisa nova pode começar. — GePeTo To hear more, visit maucuri.substack.com