
Nesta conversa com Felipe Villela, partimos de sua história pessoal — filho de pais bastante diferentes, marido da chef Tati Lund e pai do Caetano — para chegar a uma questão que atravessa praticamente todo o seu trabalho: como fazer a economia reconhecer o valor da natureza? Felipe vem dedicando sua trajetória à agricultura regenerativa, à agrofloresta e à criação de novos modelos econômicos capazes de remunerar quem preserva, recupera e cuida da terra. Falamos sobre carbono, água, biodiversidade, tecnologia de satélite e sobre uma mudança de perspectiva que pode ser decisiva: fazer com que investimentos em natureza deixem de aparecer apenas como custo para as empresas e passem a ser reconhecidos como ativos capazes de gerar resiliência e valor econômico. Isso significa, entre outras coisas, remunerar os chamados land stewards: agricultores, comunidades e povos que efetivamente manejam e preservam os territórios e que, historicamente, pouco recebem pelos serviços ambientais que prestam para todos nós. Felipe traz também exemplos concretos de empresas começando a experimentar essa nova lógica e mostra por que riscos climáticos, cadeias de fornecimento, rastreabilidade e exigências de mercado estão acelerando essa transformação. Mas nossa conversa não fica apenas no mundo empresarial. Falamos sobre filhos, futuro, urgência climática e sobre a pergunta inevitável: ainda dá tempo de mudar essa história? Felipe acredita que sim. Mas acredita também que precisamos acelerar. Talvez uma das ideias mais interessantes deste diálogo esteja justamente aí: não se trata mais apenas de denunciar o velho modelo, mas de criar mecanismos capazes de aproximar economia, tecnologia, empresas, agricultores, comunidades e natureza. Porque regenerar o planeta talvez dependa também de conseguirmos fazer com que a floresta em pé, a água preservada, a biodiversidade e o solo vivo tenham mais valor do que sua destruição. Uma conversa sobre natureza, dinheiro, tecnologia e, sobretudo, sobre a responsabilidade de cada um de nós diante do mundo que estamos deixando para quem vem depois. — GePeTo To hear more, visit maucuri.substack.com