
Anorkinda Neide De tanta inspiração e tanta vida Que os nervos convulsivos inflamava E ardia sem conforto.. . O que resta? uma sombra esvaecida, Um triste que sem mãe agonizava . . Resta um poeta morto! Morrer! e resvalar na sepultura. Frias na fronte as ilusões—no peito Quebrado o coração! Nem saudades levar da vida impura Onde arquejou de fome . . sem um leito! Em treva e solidão! Tu foste como o sol; tu parecias Ter na aurora da vida a eternidade Na larga fronte escrita. . . Porém não voltarás como surgias! Apagou-se teu sol da mocidade Numa treva maldita! Tua estrela mentiu. E do fadário De tua vida a página primeira Na tumba se rasgou... Pobre gênio de Deus, nem um sudário! Nem túmulo nem cruz! como a caveira Que um lobo devorou!. . .