
Tenho acompanhado, com muita tristeza e atenção, os constantes e diários registros de mulheres vítimas de violência e até feminicidios aqui no Sertão. Me desperta o fato que quase nada e muitas vezes nada é feito em defesa das vítimas de sexo frágil, em sua grande maioria desempregadas e sobreviventes do trabalho dos companheiros, que as mantém sob o perverso clima do medo. A poucos dias, lá em Olivença, no ápice da violência, um homem que não aceitava o fim de um namoro atirou contra a ex-namorada no local onde ela trabalha, matando a mãe da jovem. Me surpreendeu o fato que a jovem, de tanto ser ameaçada pelo ex-namorado, já havia procurado a polícia e a Justiça relatando o drama que enfrentava. É lamentável quanto é demorada a ação da justiça e da polícia contra tais bandidos quando as vítimas, claro, são pessoas iguais a mim e a você. No caso especifico de Olivença e em outros milhares semelhantes, se a justiça tivesse agido em tempo hábil e se a polícia tivesse ao menos ido buscar o suspeito e adotado providências, é muito provável que pelo menos uma vida teria sido salva. E não adianta desculpas. No Sertão não existe Delegacias de Defesa da Mulher, também não existe a Patrulha Maria da Penha, feita pela Polícia Militar (PM) e o pior, não querem resolver os diários casos de violência contra as mulheres. Problema da polícia? Não. Não é somente das autoridades policiais. A Justiça tem sim responsabilidade nisso pois só acumula os processos e não procura revolver os casos na “fonte”, além de demorarem uma eternidade até para darem uma sentença de separação.