
Sem recursos públicos, fazendo “milagres” com orçamentos aprovados por instituições internacionais e ampliando a audiência na base do textão. Assim é a Amazônia Real, agência de notícias fundada em Manaus há oito anos e que hoje é lida em mais de 180 países e reconhecida como referência na cobertura de assuntos amazônicos. Entrevistada do episódio #24 do podcast As Amazonas, a jornalista Kátia Brasil, uma das fundadoras da Amazônia Real, lembrou do início do empreendimento, que hoje emprega 60 pessoas (30 delas jornalistas), quando teve que contar com a ajuda da família para manter a atividade da agência. Quase um ano depois de sua criação (e após seis meses de análise), a Amazônia Real teve aprovado o primeiro de uma próspera “safra” de projetos na Fundação Ford, parceria que já dura sete anos. Foi ela que permitiu à agência sair da casa de Kátia, onde funcionava improvisadamente, e alugar sua primeira – e pequena – sede. De lá pra cá, conta ela, outros financiadores bateram nas portas da agência, certamente atraídos pela qualidade e pioneirismo do material produzido e pela gestão profissional e transparente adotada pelo empreendimento. Neste episódio, Kátia falou também sobre a importância de haver um veículo que fale da Amazônia ouvindo narrativas locais, entrevistando diretamente os indígenas e contribuindo para reverter um contexto de falta de pertencimento e identidade amazônicos. Faltou também sobre ética e sobre o principal papel do jornalismo investigativo, cumprido com louvor pela agência: incomodar.