
Um parasita que não sobrevive em laboratório desafia há décadas pesquisadores de todo o mundo – e deixou doentes no Brasil mais de 140 mil pessoas em 2021. A biologia deste “bichinho”, o Plasmodium vivax, é a principal área de pesquisa da entrevistada do episódio #26 do podcast As Amazonas. Stefanie Lopes, pesquisadora em Saúde Pública no Instituto Leônidas e Maria Deane - Fiocruz Amazônia (onde hoje ocupa o cargo de Vice-Diretora de Pesquisa e Inovação), deu uma “master class” sobre malária. A pesquisadora é a coordenadora local de um projeto de pesquisa pré-clínica de uma vacina para malária vívax, cujo patrocínio foi aprovado este ano pelo Fundo Global de Tecnologia Inovadora em Saúde (GHIT), do Japão. Este tipo de malária responde por mais de 80% dos casos do Brasil. Neste episódio, Stefanie falou bastante sobre esta pesquisa, sobre os sinais de que o Plasmodium vivax está desenvolvendo resistência à cloroquina, sobre seu sonho de trabalhar na França e sobre a importância do controle do vetor e do diagnóstico e notificações precoces, sem as quais o Brasil não conseguirá eliminar a doença. A meta de zerar os casos até 2035 foi lançada este mês pelo Ministério da Saúde, no plano nacional de eliminação da malária. “Malária não é normal”, diz ela, lembrando que a doença - hoje é mais prevalente em áreas remotas com populações vulneráveis - foi erradicada de países vizinhos ao Brasil.