
As Organizações da Sociedade Civil são essenciais para o futuro do Brasil e precisam ser encaradas como tal. Quem dá a “dica” é Virgílio Viana, entrevistado do episódio #28 do podcast As Amazonas. Em nossa segunda temporada, com a temática Amazônia, o superintendente geral da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) traçou um panorama dos desafios e potencialidades do Terceiro Setor. “Governos são excessivamente burocráticos, gastam mal os recursos, demoram para gastar, pagam caro e compram com baixa qualidade”, pontua Virgílio, afirmando que as ONGs, além de mais criativas, têm mais facilidade para serem inovadoras e contam também com o componente “paixão”. “Ao invés do trabalho em que a pessoa vai e bate ponto à espera do salário no fim do mês, na sociedade civil, a maior parte das pessoas está ali por paixão, trabalha com vontade. Na Amazônia, principalmente, isso é muito importante”, explica. E os governos, avalia ele, estão ávidos por soluções que a Sociedade Civil consegue apresentar. A FAS é um grande exemplo, com atuação em quase 900 comunidades da região, a organização trocou seu A de Amazonas por A de Amazônia há dois anos, como reflexo da demanda de outros estados e até países. Hoje tem projetos embriões na Colômbia, no Peru e na Bolívia. Virgílio, que acaba de voltar de uma viagem por 11 cidades da Europa e EUA prospectando parcerias, diz que a situação do Brasil no mundo hoje é paradoxal. De um lado, a imagem está extremamente desgastada e por outro lado há uma sensação de desespero sobre o futuro da Amazônia e o sentimento de que “precisamos fazer alguma coisa”. Nesta entrevista de quase 50 minutos, ele falou também sobre seu papel na Pontifícia Academia de Ciências Sociais do Vaticano, onde é o único representante brasileiro, e sobre como o fato de conhecer bem a realidade local ajuda neste trabalho. Pontuou o descompasso entre discursos dos políticos e opinião pública nas pautas ambientais (e de como eleições podem ser um marco para essas pautas). E falou bastante sobre o perfil de “solucionologia” da FAS (em contraponto à profusão de “problematologistas” no mundo) e de como essa fábrica de inovações que é a fundação o ajuda a manter acesa a chama da esperança.