
Audiodescrição: A acrílica sobre tela, sem título, de 1985, obra abstrata que mede 170 por 170 cm, mostra, em vermelho intenso, sobre fundo arroxeado, uma figura curvilínea e ovalada, com bordas precisas e uma fenda no meio que ocupa toda a obra. Nesta fase, as curvas de Tomie deixam de lado a arquitetura para enfocar a matéria pulsante da vida, a carne. As formas e fendas sugerem nádegas, vaginas que junto com a cor predominantemente vermelha apontam para o erotismo. Uma fenda em forma de gota, em tom arroxeado, divide a grande forma ovalada em duas na parte inferior, que tem fundo arroxeado como a fenda. No canto inferior direito da obra, um elemento de linhas curvas, em tom escurecido, quase translúcido, cruza a tela da direita para o meio assemelhando-se a um objeto fálico. Uma tênue e delegada linha branca acompanha o contorno, iluminando sutilmente o traçado. Observações curatoriais: A dimensão sensual e erótica da pintura de Tomie Ohtake é tema ainda pouco explorado, mas que se fez presente em algumas leituras, como a do curador e crítico Frederico Moraes. Entre as formas criadas pela artista é possível fazer analogias com falos, vaginas e úteros, além da percepção de grutas, línguas e formas que se acasalam. É importante frisar que muitas dessas formas são mais alusivas do que intencionalmente figuradas pela artista. Elas marcam um período de sua produção em que é possível identificar uma vontade de erotismo. Além das formas, as cores também intensificam essas leituras: o vermelho intenso, cor de carne, reforça a vibração proveniente da pintura. Na mostra Tomie Ohtake Dançante, esta obra foi escolhida pelo coreógrafo Rodrigo Pederneiras para exploração desse erotismo e foi fio condutor para a coreografia apresentada pelos bailarinos do Grupo Corpo.