
Audiodescrição: A acrílica sobre tela, sem título, de 1992, obra abstrata que mede 100 por 200 cm, na horizontal, retrata em fundo azul cobalto e marinho, uma forma ovalada, que ocupa praticamente toda a tela no sentido horizontal, semelhante a uma nave ou cápsula, parecendo estar envolta em bruma escurecida. A parte central da forma tem tons escuros e as bordas estão mais iluminadas. Uma névoa ou bruma em tons escurecidos de cinza e azul cobalto parece se desprender e sair da tela, dando um efeito de tridimensionalidade. A forma parece gasosa, fluida e transitória. Uma linha fina vermelha vívida, atravessa a forma ovalada, da direita para o centro da tela, como que iniciando uma divisão na cápsula ou nave. Observações curatoriais: No final dos anos 1970, Tomie introduz em sua pintura a forma capsular que estará presente em anos posteriores, como nesta obra de 1992. O curador e historiador Frederico Moraes atribui a origem dessa forma à arquitetura, como se fossem abertas fendas e orifícios nos tetos e coberturas que possibilitam a entrada de luz. Essas cápsulas, com contornos precisos, aparecem nas pinturas primeiramente na vertical, junto a planos vermelhos. A segunda ocorrência são estas horizontais, mais alongadas, como se fossem naves a se deslocar no azul espacial. Moraes as chama de um “planeta azul perdido no cosmos", ressaltando o uso da cor sobre uma mesma cor.