
Já deste por ti a hiperjustificar uma decisão que ninguém estava a questionar? Ou a cortar tanto a direito nas palavras que a tua comunicação fica mais seca do que um deserto? O stress tem uma assinatura comunicacional e, quando começamos a prestar atenção, encontramos pistas nos sítios mais inesperados. Há frases que encolhem até ficarem reduzidas ao essencial. Outras crescem tanto que se transformam numa muralha de explicações. Podemos falar mais e fazer mais pausas ao mesmo tempo. A voz muda, o ritmo muda, o corpo entra na conversa. Neste episódio do Bela Questão, quero ensinar-te a reconhecer algumas dessas alterações e, sobretudo, apresentar-te um conceito que mudou a forma como eu própria passei a observá-las: o baseline, o padrão habitual de comunicação de cada pessoa. É a partir daí que começamos a perceber o que acontece quando o stress comunica por nós. Pelo caminho, falamos de hipersimplificação, hiperjustificação, prosódia, fluência verbal e microgestos de bloqueio e experimentamos algumas estratégias menos óbvias: fazer eco das palavras do outro, introduzir fisicamente outro ritmo numa interação acelerada, mudar de canal e até alterar a geometria de uma conversa. Talvez descubras que conheces bastante bem a tua forma de comunicar quando estás tranquilo. Falta conhecer a versão que aparece quando tens o coração a 120.