
No dia 4 de agosto de 1879 o Papa Leão XIII escreveu um texto nascido de uma urgência em sua época. A Encíclica Aeterni Patris alertava para o problema das “más opiniões à cerca das coisas divinas e humanas, que, partindo primeiro das escolas dos filósofos, têm invadido todas as ordens da sociedade, acolhidas por muitos. Pois, visto que é da natureza do homem seguir a razão como guia em suas ações, se a Inteligência peca em qualquer coisa, sua vontade logo a seguirá; e assim acontecem que as falsas opiniões, cuja sede está no entendimento, influenciam as ações humanas e as pervertem. Ao passo que, por outro lado, se os homens estiverem de bom juízo e se posicionarem em princípios verdadeiros e sólidos, o resultado será uma grande quantidade de benefícios para o bem público e privado”. Foi grande e permanece em ascendência a força e a influência das “más opiniões à cerca das coisas divinas e humanas”. A filosofia dos últimos cinco séculos carrega em seus ombros o peso dos profundos erros que cometeu e nos quais insiste em permanecer: o humanismo, o liberalismo, o materialismo, o positivismo, o socialismo e, claro, o ateísmo radical. Por meio dessas falácias e suas sedutoras promessas o homem moderno foi se distanciando cada vez mais da verdade que construiu a sua própria civilização e, consequentemente, foi perdendo suas referências e a si mesmo. O resultado disso é a convulsão revolucionária e autodestrutiva na qual vivemos atualmente, aonde os homens rejeitam as verdades mais sublimes afim de construir um mundo sem Deus, dando a si mesmo a sua lei. Diante disso, necessário se faz recolocar em discussão a verdadeira natureza e conceito da filosofia, seu objeto, sua divisão, a disposição de suas partes, suas relações com as outras ciências e com a teologia, sua utilidade e também suas exigências para com todo aquele que dela desejar se aproximar. Para esclarecer estas questões nos apoiaremos nos escritos de Dom Thiago Sinibaldi, Bispo Titular de Tiberíades, Doutor em Filosofia, Teologia, Direito Canônico e membro da Academia Romana de Santo Tomás de Aquino. Aula 1: A restauração da filosofia cristã Aula 2: O conceito da verdadeira filosofia