
CAT_ A Interferência da Indústria da Nicotina no Brasil Pelo Centro de Apoio ao Tabagista - CAT, ONG carioca cujo propósito maior é a redução dos impactos ambientais, econômicos, sanitários e sociais consequentes da dependência química em nicotina, entrevistamos Alexandre Octávio Ribeiro, documentarista, historiador e jornalista, onde abordamos um dos temas mais relevantes do enfrentamento ao maior problema sanitário global: a Interferência da Indústria da Nicotina sobre as políticas públicas brasileiras. Programa Viva Voz Saúde, Rádio NSC, 13/05/2023. O nosso convidado, Alexandre Octávio, é documentarista, jornalista e historiador. Mestre em História Contemporânea pela Fundação Getúlio Vargas, trabalhou na equipe da Comissão Nacional para Implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco no Brasil - CONICQ (2005 a 2022), é colaborador do Centro de Estudos sobre Tabaco e Saúde - CETAB, da Fundação Osvaldo Cruz - Fiocruz e, no momento, está lotado na Coordenação Nacional de Prevenção e Vigilância - Conprev, do Instituto Nacional do Câncer - INCA. A existência desta interferência industrial supracitada ficou evidente quando da elaboração definitiva do texto da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco, instância criada a partir de percepção da Organização da Nações Unidas - ONU de que o mundo, coletivamente e baseado em evidências científicas, precisava fazer algo para fazer frente à pandemia de doenças associadas à dependência química de nicotina. A Organização Mundial da Saúde - OMS, uma das 5 agências da ONU, capitaneou a criação da Convenção-Quadro, o primeiro tratado sanitário global, que entrou em vigor em fevereiro de 2005, depois da adesão dos primeiros 40 países. Hoje são já 182. O tratado, portanto, criado para a proteção dos terráqueos, tem inúmeros artigos e subartigos. O Artigo 5.3 versa justamente sobre a interferência da Indústria da Nicotina: "exige que as Partes (países) protejam suas políticas de controle do tabaco e de saúde pública dos interesses comerciais e outros da indústria do tabaco". Neste nosso programa Viva Voz Saúde, discutimos esta questão sob alguns prismas diferentes. Portanto, o nosso objetivo foi trazer à superfície alguns detalhes importantes sobre o enfrentamento da pandemia nicotínica, sem a compreensão dos quais o combate às doenças relacionadas pelo ato de consumir produtos de tabaco fica lentificada. Cada política pública, cada decisão lógica, são bombardeadas pelos prepostos industriais, lobos em peles de cordeiros.