
No episódio 52 do Cinematografia Podcast, Flávia Arielo, Fernando Geloneze e Jason Baroni concluem a análise de O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte — o único filme brasileiro a ganhar a Palma de Ouro em Cannes e uma das obras mais poderosas já produzidas pelo cinema nacional. Nesta segunda parte, o trio apresenta Zé do Burro como herói trágico no sentido grego clássico, os personagens como arquétipos do povo brasileiro e o sincretismo religioso como a cola mítica de tudo isso. 🎥 Neste episódio, falamos sobre: Zé do Burro e a tragédia grega: por que esse personagem não tem escapatória do seu destino. O sincretismo religioso como abertura e como tese: atabaques, via crucis, Santa Bárbara, candomblé e catolicismo numa mesma sequência sem diálogo em uma das sequências mais bonitas do cinema brasileiro. Salvador como cenário e como personagem: a Escadaria do Santíssimo Sacramento do Paço, o Pelourinho, os pés de Zé do Burro cruzando seca, água e vegetação. A sombra da cruz que lembra a Pietà: como Anselmo Duarte compõe imagens sacras sem precisar nomear nenhum santo. Por que as novas gerações precisam assistir esse filme e o que se perde quando a memória cultural brasileira não passa adiante.