
Este conteúdo está disponível nas versões texto e áudio. Apesar deste ser um tema indigesto, ele é necessário. Infelizmente, não podemos ignorar esse assunto. Mas podemos abordá-lo de uma perspectiva que nos leve a compreensão de que parte da solução começa na forma como reagimos a tudo isso. E a melhor forma de compreendermos como digeri-lo, é nos inteirando dos fatos. Ler o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025 é uma experiência difícil e desconfortável - tanto que ainda nem terminei de ler todos os tópicos contidos nele pois estamos falando de diversas frentes relacionadas à violência. Contudo, o primeiro choque veio ao constatar que, hoje, são crianças e adolescentes as principais vítimas da violência sexual no Brasil. O anuário informa: “A faixa dos 10 aos 13 anos concentra o maior número de vítimas de estupro no Brasil. Ao segmentar a análise pelo total de estupros de vulnerável, essa porcentagem sobe para 42% nessa mesma faixa etária. Entre as vítimas com menos de 10 anos, os dados revelam uma realidade brutal: 23,4% do total de casos de estupro de vulnerável têm vítimas crianças de 5 a 9 anos, enquanto 13,1% são crianças de 0 a 4 anos”. E piora: Sim, você entendeu corretamente. É chocante! O documento ainda ressalta: Há também uma crescente de crimes virtuais. Na internet, a captação de imagens e o fácil acesso dos pedófilos, especialmente à crianças menores, fizeram com que a produção/distribuição de material de abuso sexual infantil crescesse, de 2023 para 2024, em 14,1%, considerando a faixa etária de 0 a 17 anos. Em todas as faixas etárias, seja no âmbito digital ou físico, os índices de crimes cometidos contra crianças e adolescentes, cresceram de 2023 para 2024. Quando falamos da violência sexual virtual, segundo o relatório da rede internacional InHope, que está presente em 51 países e reúne 55 canais de denúncia de crimes na internet pelo mundo, o Brasil saiu da 27ª para a 5ª posição no ranking internacional de denúncias, ficando atrás da Bulgária, Reino Unido, Holanda e Alemanha. Espera-se que essa crescente de informações seja fruto de um maior número de denúncias. BULLYING E CYBERBULLYING Nesse cenário, com a chegada da nova lei de combate ao Bullying e ao Cyberbullying, foram registrados: Todos estes números comprovam que temos situações cada vez mais agravantes acontecendo bem debaixo do nosso nariz. Por que continuamos a ver esses números crescentes? É uma questão ligada a falta de uso de programas de combate a estas situações ou a uso de processos e práticas ineficazes? OS ALARMES ESTÃO TOCANDO Temos muita gente que ainda não entendeu que o primeiro passo, quando falamos de proteção, é resgatarmos valores necessários para garantir que a segurança de crianças e adolescentes comece dentro de casa. É dentro de casa que estão os maiores protetores em potencial das nossas crianças e adolescentes. Sabemos ainda que, por vezes, é dentro de casa que também encontramos riscos. E o primeiro problema que tende a acontecer para que crianças e adolescentes se tornem desprotegidos e vulneráveis a predadores e agressores, é a quebra relacional. Esse rompimento leva a perda da segurança necessária para que filhos possam confiar plenamente em seus pais, e estarem preparados para os perigos na vida real e digital. Os problemas de violência não estão somente em redes sociais e não se limitam a pais rudes ou criminosos. Há muitas injustiças ao nosso redor. Contra algumas poderemos ser preventivos, contra outras não estaremos lá para defendê-los ou não teremos controle. Assim, a melhor forma de protegermos crianças e adolescentes é através da educação. A educação moral, sexual, financeira, intelectual, espiritual e emocional será decisiva na forma como crianças e adolescentes reagirão ao mundo ao seu redor. Esse conjunto de valores, quando desde cedo é ensinado com amor, respeito e equilíbrio em cada fase da vida, é o fundamento que baseará as reações de crianças e adolescentes quando estiverem sozinhos em suas próprias decisões. E eles errarão, precisarão de apoio, se frustrarão, não vão gostar de algumas das escolhas dos pais para eles. Mas a função dos pais como educadores exigirá posicionamento claro e firme. Autoridade não se conquista com castigos, muito menos fazendo da criança a dona das decisões da casa e da sua própria vida. Criança precisa sentir-se amada, vista, cuidada e isso inclui darmos a elas direção, limites, nãos, frustrações, ensinarmos a lidarem com ganhos e perdas, vitorias e dificuldades que vão prepará-las para a vida do lado de fora de casa. Cada família é um mundo próprio de valores, crenças, visão de mundo e conhecimento acerca dele. Ainda assim, parte dos nossos problemas atuais é que estamos perdendo a mão na educação, nos limites e na forma como tentamos consertar o que, aos nossos olhos, foram os erros dos nossos pais. Seja você conservador ou progressista, se seu filho ou filha não tiver em você um sólido alicerce de amor, diálogo, equilíbrio, segurança e autoridade, o resultado tende a ser danoso. Assim, as perguntas sinceras que precisamos fazer a nós mesmos são: * Sabemos ser esse sólido alicerce? * Temos acertado ou falhado? * Que caminhos seguros podemos percorrer para o devido ajuste ou resgate de nós mesmos para o bem de nossos filhos (e nosso)? QUANDO VOCÊ PENSA EM TUDO ISSO, QUE DÚVIDAS TE VEM A MENTE? Por fim, queremos te fazer um convite: Se você conhece alguém que precisa ter acesso a essas informações, compartilhe esse artigo. Compartilhar nosso conteúdo também é uma forma de apoiar o Clube Orekare e ajudar outras pessoas a despertarem para assuntos e temas importantes para a saúde mental, emocional e familiar. Se você ainda não é assinante, inscreva-se abaixo e receba nosso conteúdo direto em sua caixa postal. Nos vemos na próxima semana, Até lá! Zarhi El Malek & Jota Coelho Get full access to Clube Orekare at clubeorekare.substack.com/subscribe