
No programa de estreia do podcast Conexões Afro-Lusófonas, o jornalista Antonio Carlos Quinto conversa com Ricardo Alexino Ferreira, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP. sobre o projeto de resgate de biografias e memórias de intelectuais de países africanos e territórios que têm o português como língua. Desde 2012, Alexino dedica-se a essa iniciativa, que abrange Cabo Verde, Guiné Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Angola, além de Macau, na China, e Goa, na Índia. O projeto, que conta com o apoio da Fapesp e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, busca dar visibilidade a figuras que, muitas vezes, são negligenciadas pela historiografia tradicional. Viagens à África A motivação para o projeto surgiu da inquietação de Alexino com a forma como o continente africano é frequentemente retratado: "É comum ouvirmos 'a França, a Itália', mas 'a África', como se fosse um único país. Como um continente com 54 nações ainda é visto dessa forma?". Para combater essa visão simplista, Alexino partiu para o outro lado do Atlântico começando por Cabo Verde, com o objetivo de conhecer o pensamento dos intelectuais africanos dos países de língua portuguesa sobre suas nações e sobre o continente. Além de Cabo Verde, Alexino visitou Angola, onde lecionou na Universidade Lueji A'Nkonde , na Lunda Norte, na cidade de Lundo. O docente ministrou aulas na área de comunicação por meio de um Programa de Mestrado em Educação criado pelo professor Roberto da Silva, da Faculdade de Educação da USP. Inicialmente, a ideia era produzir um livro-reportagem. No entanto, as filmagens realizadas durante as viagens revelaram um material rico e promissor, levando Alexino a expandir o projeto para a produção de um documentário. O projeto ainda está em andamento, e novas viagens à África estão previstas. A expectativa é que o resultado final seja uma obra que contribua para a construção de uma memória mais completa e plural do continente africano.