
Em 15 de janeiro de 2025, o advogado Daniel Francisco Chapo assumiu o cargo de presidente da República de Moçambique, após ter sido eleito no pleito de outubro de 2024. “Entre as primeiras ações do governo, o presidente recentemente celebrou cinco acordos de cooperação com Angola, com foco no desenvolvimento econômico e social”, conta o jornalista Sérgio Marcos David Matusse, convidado desta quinta edição de Conexões Afro-Lusófonas. O entrevistado é administrador executivo na Televisão de Moçambique e representante da FIFA para transmissões televisivas no país. Para ele, os acordos são resultado de uma visita de Daniel Chapo a Angola. “Existem realidades que unem esses dois países, como o fato de serem antigas colônias portuguesas que ficaram independentes no mesmo ano, em 1975”, lembra. Enquanto Moçambique descobriu recentemente recursos naturais como petróleo e gás natural, Angola já tem uma longa história nesse setor. Comércio fronteiriço A relação com a vizinha África do Sul é ainda mais estreita. “Certamente, a África do Sul é o país onde há mais moçambicanos fora de Moçambique”, afirma Matusse Ele destaca a mão de obra moçambicana que trabalha na indústria extrativista sul-africana. “Muitos moçambicanos vivem desse comércio. O que se consome em Moçambique, grande parte vem da África do Sul. Nossos maiores supermercados são de capital sul-africanol. É uma cooperação inevitável que, mais do que governamental, se baseia nas conexões entre os povos, famílias e comunidades”, explica o jornalista. A política externa do governo Frelimo Daniel Francisco Chapo é filiado à Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido que está no poder desde a independência em 1975. Matusse explica que, apesar de ser governado por um partido de esquerda, o país sempre adotou uma política de não alinhamento em conflitos internacionais.“Moçambique sofreu muito no passado com esse posicionamento, quando esteve ligado à antiga União Soviética. Por conta disso, foi alvo de agressões e aprendeu a lição de procurar se identificar com as diferentes correntes”, avalia. Moçambique também mantém relações fortes com países da América do Sul, como o Brasil. “Para dar um exemplo, nos períodos de pico do HIV, o Brasil montou em Moçambique uma fábrica de medicamentos antirretrovirais. Isso é um indicador de uma relação muito próxima com o Brasil”, conclui Matusse.