
Olá! Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação". No episódio anterior, um episódio de celebração por ser a quinquagésima Confissão e o primeiro aniversário deste podcast, já vos dei um lamiré do tema de que hoje vos quero falar. Lá no meio de todas as celebrações, contava-vos que uma das coisas que adoro sobre ter um podcast é que estou mais atenta às pequenas coisas da vivência do dia-a-dia. Neste episódio mencionamos: O Guia passo-a-passo para começar (e continuar!) a desenhar todos os dias Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras. Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não. Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrever a newsletter para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik Podcast Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Quero receber Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”. Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. No episódio anterior, um episódio de celebração por ser a quinquagésima Confissão e o primeiro aniversário deste podcast, já vos dei um lamiré do tema de que hoje vos quero falar. Lá no meio de todas as celebrações, contava-vos que uma das coisas que adoro sobre ter um podcast é que estou mais atenta às pequenas coisas da vivência do dia-a-dia. As coisas grandes são relativamente fáceis de identificar: acabar uma formação e certificar-me como coach de equipas foi uma grande coisa do mês de Junho. Mas a vida faz-se mais com as pequenas coisas do que com as grandes coisas, e estar atenta aos detalhes, dar-lhes espaço para ser, é um dos aspectos mais interessantes, para mim, de escrever um blog, digo, de ter um podcast. Quando em 2006 abri o meu primeiro blog, o “Entre Lisboa e Buenos Aires”, estava a mudar-me de cidade, e chegar a uma cidade nova, num país novo, num continente novo para mim, era material mais que suficiente para escrever. À medida que os posts e os anos se foram acumulando, fui puxando da lupa e observando cada vez mais os detalhes. Reparar em pequenas coisas, sensações, ocorrências, e depois passa-las ao papel, que no caso era um computador, passou a ser um dos meus passatempos favoritos. E, com a repetição da escrita, fui afinando a minha voz e o meu olhar. Hoje, com este podcast, sinto o mesmo prazer de escrever e de reparar nas coisas pequenas que me ocorrem e que me rodeiam. E hoje, quero falar-vos de uma dessas pequenas coisas que sucedeu bem dentro da minha cabeça e do meu corpo, e apesar de aparentemente pequena, para mim significa um enorme progresso neste caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Confesso-vos: o processo criativo costumava ser sofrido. Para fazer o “Livro do Não”, por exemplo, levei anos, sendo que uma parte desses anos foi com o projecto parado, dentro da gaveta e a ocupar largura de banda, sempre a pesar dentro da minha cabeça. Dei por mim muitas vezes completamente paralisada: por um lado, com um desejo enorme de avançar com o livro, quase a sentir uma comichão na ponta dos dedos, tal a vontade de o fazer. E, ao mesmo tempo, com um enorme peso na barriga, um enjoo físico de cada vez que pensava em sentar-me à mesa para o continuar. Nessa altura, para superar este impasse, defini para mim uma meta: a primeira meia hora de cada dia de trabalho seria dedicada ao livro. Se o processo estivesse a ser aflitivo, só teria de o aguentar durante meia hora, e depois podia deixá-lo até ao dia seguinte. Muitos dias houve em que essa meia hora pareceu três anos; outros dias houve em que a meia hora passou num sopro, e em vez de meia hora trabalhei duas ou três, sem sequer reparar. Mas lembro-me bem da sensação de paralisia provocada pela pressão do perfeccionismo. Por alguma razão, achava que tinha de optimizar o tempo e isso significava que tinha de ficar bem à primeira tentativa. Ora quem trabalha em áreas artísticas sabe que a primeira tentativa é só uma primeira tentativa, e que às vezes as coisas se deslindam num instante, e outras vezes há em que temos de tentar duas, três, ou mais vezes, fazendo e desfazendo, até encontrar a linguagem visual que desejamos. Entretanto, em Abril de 2024 o “Livro do Não” ficou acabado, avançou para a gráfica e no final de Maio desse ano finalmente segurei esse bebé metafórico nas minhas mãos. Foi um processo que me ensinou muito e tenho imenso carinho por este meu primeiro livro. Entretanto, também em 2024, comecei a facilitar as sessões de Desenhamos Juntas. Nessa altura, com o nome de Diário Gráfico Vibrante, estas sessões semanais num círculo protegido começaram a ser um momento muito importante para mim. Com a passagem do tempo, dei por mim a relacionar-me de maneira diferente com o meu crítico interno. Primeiro, comecei a observar mudanças subtis nas coisas que o meu crítico me dizia. Depois, comecei a notar que essas coisas que me dizia tinham menos impacto em mim. Fiquei atenta e curiosa: não sabia que esse seria um benefício de desenhar em conjunto com outras mulheres. Na verdade, pensei que iríamos praticar o desenho, que iríamos desfrutar do momento de brincadeira e de jogo com as cores, pensei até que iríamos praticar soltar o controlo e o perfeccionismo usando pincéis, cujo resultado é mais difícil de controlar do que, por exemplo, o de um lápis de cor. Pensei tudo isso, mas não pensei que a voz do crítico interno cada vez me afectaria menos. Não desaparece por completo, aliás até já baptizei essa voz dentro da minha cabeça com o nome de “Dona Rosete”, mas faço-lhe menos caso. Sinto-me infinitamente mais livre para a ouvir e não ligar do que antigamente. E isso traz-nos à nossa conversa de hoje: estava eu em grande azáfama a preparar um conjunto de ilustrações para submeter a um concurso, sentindo que provavelmente o tempo seria curto para fazer todas as ilustrações que gostaria, mas desfrutando de cada um dos detalhes, quando dei por mim não em stresse nem em agonia, mas sim a divertir-me. Foi muito divertido criar as personagens, atribuir-lhe características visuais, dar-lhes cor e forma. Foi muito divertido pôr as personagens nas diferentes circunstâncias e dotar cada desenho de pequenos detalhes aqui e ali que traziam surpresa e contavam mais um pedacinho da história, quase como um segredo dentro da história. Dei por mim a sentir aquela fluidez que tantas vezes desejamos, e poucas vezes conseguimos, sobretudo se somos perfeccionistas. No seu todo, e apesar do muito trabalho que tive, foi um processo de muita alegria, leveza, deleite. Foi uma maravilha. O mais surpreendente para mim foi constatar isto: que me estava a divertir, que cada tentativa era um prazer, que cada caminho que experimentava era feito com curiosidade, quase que numa brincadeira. Não senti pressão, e não me pus pressão a mim própria. Pensei para mim que apresentaria as ilustrações que tivesse prontas e com as quais estivesse satisfeita, e mergulhei em cada uma delas para fazer de cada uma a melhor ilustração possível. Isto, em 2023, ou ainda antes, quando tinha o “Livro do Não” entre mãos, era impensável para mim. Esta ideia de fazer da exploração das formas e das cores um jogo, uma brincadeira, uma tentativa, era um conceito que eu conhecia com a cabeça, mas não conhecia na prática, com o corpo. E a que é que atribuo esta mudança? A tanta coisa, mas quero destacar duas práticas que acho que marcam um antes e um depois: por um lado, a prática consistente de desenho acompanhada, no Desenhamos Juntas. Por uma qualquer razão mágica que não sei exactamente descrever, quando partilho com o grupo aquilo que a minha Dona Rosete me está a dizer, as suas palavras perdem força. No fundo, sinto que perdem o impacto que têm em mim. O outro ponto que quero destacar é a importância de chamar a minha criança interior para vir brincar, sempre que é altura de criar algo de novo. No fundo, a minha criança interior está cheia de vontade de criar algo do nada, de fazer desenhos, escrever textos, enfim, de brincar. E então eu convido-a a vir, e digo-lhe, digo-me, para retirar a pressão, que vamos brincar e que vamos fazer o primeiro rascunho. Não vamos fazer a versão final, vamos só fazer o primeiro rascunho, e depois logo se vê aonde iremos a partir dali. Então, olhem, constatar esta leveza, esta alegria no processo, é das coisas mais valiosas que me levo de todo este caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Transformar a agonia em prazer é algo que muito aprecio, e que espero poder continuar a reproduzir nos processos criativos do futuro. Se ainda não conhecem o Desenhamos Juntas, a sessão de desenho às 13h de segunda-feira, para a melhor pausa de almoço do mundo mundial, então deixar-vos-ei o respectivo link nas notas deste episódio. Ah, e se acharem que precisam de uma ajuda para começar a desenhar, deixo-vos também o link para o guia gratuito para começar (e continuar!) a desenhar todos dias. Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy. Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio. E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós. The post Episódio 51. Da agonia ao prazer de criar first appeared on air | illustration + design + creativity.