
Na semana do dia 9 de maio de 2022 o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC/USA) declarou um surto de infecção pela bactéria Cronobacter depois que o “Food and Drug Administration” (FDA/USA) recebeu quatro queixas de infecção em bebês dentre 20 de setembro de 2021 até 11 de janeiro de 2022. Desses, dois bebês acabaram falecendo pela infecção. Do ponto de vista epidemiológico, foi rastreado pelos relatos dos pais, que os quatro bebês foram alimentados com fórmulas infantis da marca Abbott Nutriton. A marca Abbott Nutrition fez um recall mundial dos produtos fabricados na planta produtiva que foi interditada, na cidade de Sturgis no estado norte americano do Michigan. Como efeito, diante de uma marca líder de mercado, foi a escassez de alimentos destinado às crianças. Colocando um pouco de lado as questões de segurança alimentar, outro efeito foi uma guerra política. O congresso americano está questionando por que o FDA demorou tanto tempo para notificar o CDC e por demorar fazer o retorno, cerca de quatro meses, a fábrica para rastrear a contaminação. Ao contrário da Salmonella, a contaminação por Cronobacter não deve ser reportada na maioria dos estados norte americanos e por isso a Abbott não notificou o FDA. Voltando ao tema Food Safety, as questões são porque uma empresa do porte da Abbott tem um processo produtivo que não garantiu que os alimentos fossem liberados para venda, sem a detecção dessa bactéria. Sendo apontada a falta de uma cultura de produção de segurança alimentar mais efetiva. Mas afinal que bactérias é essa? Na verdade, quando falamos em Cronobacter estamos referindo a um gênero de bactérias em forma de bacillus, gram-negativas, anaeróbias facultativas e geralmente são móveis. O gênero faz parte da família Enterobacteriaceae, amplamente disseminado em diferentes ambientes e alimentos podendo causar meningite, enterocolite necrosante e outros sintomas. Similar a Salmonella, o isolamento de Cronobacter requer três etapas: pré-enriquecimento, enriquecimento e semeadura em meios seletivos: i) pré-enriquecimento com água peptonada tamponada (90 mL) mais 10g da amostra; ii) enriquecimento com caldo EE (seletivo e específico para Cronobacter) por 12 h (overnight) e iii) semeadura em ágar cromogênico [como Druggan-Forsythe-Iverson (DFI)]. Pelo metabolismo microbiano o resultado é a formação de colônias azuis-esverdeadas após 18h de incubação a 37oC. Durante o período de investigação, a empresa recolheu produtos do lote para testes internos, mas, não divulgaram os resultados, sendo a contaminação indicada de origem ambiental. A Abbott comunicou que sanou o ponto de contaminação e destruiu todos os produtos dos lotes contaminados. Mesmo com os casos positivos de morte, após o recall de todos os produtos da marca e não havendo mais reclamações a empresa encerrou o chamado. O relatório de investigação do FDA concluiu que houve múltiplas falsificações em resultados microbiológicos do controle da qualidade, além disso, os procedimentos de limpeza eram ineficientes e falhos. Outra falha foi que não há registro de quem executou as limpezas, sem possibilidade de rastrear os envolvidos. Em resumo, múltiplas ações de negligência custaram a vida de crianças. Como os produtos são destinados para crianças, para salvá-las principalmente em casos de desnutrição, o maior rigor de segurança alimentar deveria ser o padrão da Abbott Nutrition. O governo americano também falhou em não reportar e fazer as devidas vistorias na empresa para evitar que o caso se tornasse uma bola de neve. Agora temos mortes, falta de alimento e uma marca manchada. Tudo isso poderia ter sido evitada se a cultura Food Safety fosse parte da empresa. Aproveite para se inscrever no canal no YouTube e apoie o canal deixando o Like, me siga no Instagram Instagram: @conradovieira https://www.instagram.com/conradovieira/ Link do canal no youtube: https://www.youtube.com/channel/UCy7dohEzxDj6NQtkqGzIr8A LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/conrado-vieira-8804a53a/ Fontes: Forsythe, S.J. Microbiologia da segurança dos alimentos. 2 ed. Artmed, 2010. pp. 337-338. TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R; CASE, Christine L. Microbiologia. 12 ed. Porto Alegre: Artmed, 2017