
Duas horas da manhã. A luz da lua cheia reflete sobre as grandes pedras que existem em abundância em frente à casa de Abimael. A caneta desliza sobre a folha de papel desenhando palavras de amor, de fé, de esperança e, principalmente, de saudade. Um belo poema começa a tomar forma e a refletir o íntimo de um homem solitário cuja maior alegria é externar, em uma folha de papel, as suas reminiscências. São passagens antigas ou não, que marcaram profundamente o seu coração. Um amor perdido, uma viagem, um perdão não concedido ou não solicitado. A alegria de viver e de estar vivo e a confiança eterna de que, um dia, o seu coração não será mais solitário. O rapaz contempla o poema e gosta. Lê mais uma vez, corrige uma rima aqui, uma métrica acolá, quem sabe uma palavra se encaixe melhor aqui ou ali, enfim, está pronto. Abimael olha apara o lado. Um velho companheiro repousa ali perto. Feito de pinho e com afinadas cordas de aço, o violão, ao comando de seu senhor e amigo, emite um som que, a princípio parece um gemido, um consolo, uma palavra de amor e depois se deixa levar pelos hábeis dedos de seu senhor e desenha no espaço um som, terno e envolvente. Uma bela melodia acolhe a poesia recém-nascida e, dali, uma canção começa a tomar forma. Abimael é o primeiro a se emocionar, na verdade - ele sabe disso - se emocionará todas as vezes que alguém, apaixonado como ele, cantá-la ou, simplesmente, recitar os seus versos. Alguns minutos depois e, pronto, a sua missão está cumprida. O jovem acabou de dar à luz uma bela canção de amor, de sentimentos tenros, de saudade enfim. Dá-lhe o nome de “À luz do luar”, absolutamente em consonância com o momento em que ela nasceu. Alguns dias depois, Ely, um cantor popular, recebe a canção de Abimael. Alguém a ouviu, gostou e, agora, oferece-lhe a oportunidade de interpretá-la, dar à bela canção as cores de seu coração, talvez acrescentar-lhe algumas lágrimas e um sorriso ao final. Ely escuta a canção, comove-se e aceita gravá-la. Pergunta quem é o compositor. Quem fez tão belos versos? Ely e Abimael, talvez, nunca cheguem a se conhecer, mas cada um entende o sentimento do outro. E, assim, a bela e afinada voz do artista dá vida ao poema feito em uma madrugada insone de um jovem poeta à luz do luar. As pessoas ouvem a melodia nos rádios. Decoram seus versos e assoviam seus acordes. A canção de Abimael ganha o mundo. Agora, muitos anos se passaram. Não se fala mais no cantor Ely ou no poeta e compositor Abimael, mas uma canção continua passeando pelo mundo visitando os corações dos apaixonados, apaziguando ânimos desesperados e enternecendo corações endurecidos pelo sofrimento. A mensagem de Abimael era exatamente esta e Ely soube, com maestria, levá-la a cada uma das pessoas que a ouviram e que, depois, sozinhos, cantarolaram-na pelas veredas da vida. É madrugada de uma quente noite de verão. Eliana não consegue dormir e resolve abrir a janela. Pareceu-lhe ouvir algum som vindo da rua que lhe pareceu uma música cantada ao som de um violão. Seu coração se alegra e ela externa um sorriso sem fim ao perceber o jovem Cláudio, cantando com sua bela voz de jovem apaixonado uma canção chamada “A luz do luar”. A jovem debruça-se na janela envia o seu coração ao encontro do jovem e deixa-se flutuar de forma mansa, tênue e leve como uma pena ou como os sentimentos de Abimael que, um dia, escrevera aqueles belos versos. Lá fora, uma lua cheia, enorme, abocanhando a noite por inteiro, sorri como quem envia os melhores sentimentos de paz e de felicidade eterna ao jovem casal. Você gostou deste conto? Clique abaixo, para assistir este vídeo no youtube ASSISTIR VÍDEO