
Vamos falar sobre a finitude da vida e reverenciar os mistérios da morte. Falar sobre a Calunga Pequena, a passagem, o fim. Ou seria o recomeço? No bom costume africano, vamos olhar para ela com festa — e claro, com muito respeito. Não sabemos a data, o local nem as circunstâncias. Mas a morte é a única certeza para tudo que vive. Tudo que existe vai morrer. Nas culturas africanas, a morte não é o fim, apenas a passagem da vida para outra vida. É o caminho que parte de Nseke, o mundo físico, para Mpemba, o mundo espiritual. Para os bantos, a fronteira entre a vida e a morte é chamada de Kalunga. E Kalunga para nós, na Umbanda, é como também chamamos o cemitério, a Kalunga Pequena, enquanto a Kalunga Grande representa o mar. Entre os iorubás, Iku (a morte) é uma divindade, temida e muito respeitada. Já no Brasil, é muito comum o costume de ir ao cemitério visitar os túmulos no dia de Finados, lembrar a memória daqueles que tiveram sua existência “findada”. Mas o que significa a morte? Devemos temê-la? Ou será que, como no romance Quincas Berro Dágua, de Jorge Amado, devemos receber a morte com lágrimas, cachaça e festa? Vamos celebrar a vida e entender que a morte deve ser respeitada, porque é parte do ciclo sagrado da existência. Morrer é também se encantar. #umbanda #terreiro #axé