
“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”. A frase do grande mestre mineiro Guimarães Rosa, no livro Grande Sertão: Veredas, é uma lição de que o real sentido da vida é o aprendizado que encontramos nela. Os terreiros são espaços de socialização, de saberes e práticas ancestrais. E a vivência de terreiro tem também um sentido pedagógico, pois nos ensina sobre a nossa relação com o mundo, com os demais seres humanos e, principalmente, a nossa relação com a gente mesmo. O que aprendemos nos terreiros? Quem ensina e como ensina? O terreiro é uma escola? E que valores damos aos aprendizados ancestrais, orais, não registrados em livros? Educar é transformar o mundo, já afirmava outro mestre, Paulo Freire, patrono da educação brasileira. Ele dizia: “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. E perguntamos: estamos prontos e prontas para nos transformar? Num país em que a educação é tão desvalorizada e esquecida, quando deveria ser prioridade, precisamos reconhecer a escola como espaço da pluralidade e da diversidade e a educação como ferramenta que nos liberta e nos faz sonhar. O que Umbanda, Candomblé e todas as religiões de matriz afro-indígenas-brasileiras têm a ver com educação? Nossos saberes ancestrais encontram espaço na escola ou ainda esbarramos com a intolerância religiosa? Como acontece a educação nos terreiros? Esse é o tema desta edição da Conversa da Aldeia. Venha conosco aprender sobre nossas raízes.