
Neste Arte em Tese, apresentamos a pesquisa Destino Eldorado, do artista visual Armando Queiroz. A tese-obra aborda imaginários que cercam Serra Pelada, no Pará, e a cidade mineira de Ouro Preto. Destinos separados por milhares de quilômetros, mas que têm em comum a sina de terem sido erguidos sob a febre do ouro. Além de um expoente da arte contemporânea amazônica, Armando Queiroz é também curador independente, técnico em museus e professor de Artes Visuais na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa). Nascido em Belém em 1968, estudou História na Universidade Federal do Pará, mas desde a década de 90 encantou-se pelas Artes, concentrando sua produção nas poéticas visuais. Paralelamente, dedicou-se aos museus, atuando como técnico e gestor de equipamentos culturais em Belém, como o Museu da Imagem e do Som. Sua produção artística abrange desde objetos diminutos até obras em grande escala e intervenções urbanas. Já participou de diversas mostras coletivas e individuais no Brasil e no exterior, como no Pompidou-Metz, na França e na Bienal de São Paulo. Alcançou também premiações relevantes, como a bolsa de pesquisa em arte do Prêmio CNI SESI Marcantonio Vilaça para as Artes Plásticas, em que teve orientação do curador e crítico de arte Paulo Herkenhoff. Também foi indicado ao por cinco vezes ao prêmio PIPA, um dos principais na área de Artes Visuais do país. Para compor suas obras e para fazer curadorias, Armando sempre realizou muitas pesquisas. Mas ele retornou à academia aos 40 anos, voltando a estudar na UFPA, agora no curso de Artes Visuais. Após, em 2016, veio cursar o mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais e sua pesquisa, de fôlego, foi indicada para ter sequência no doutorado, concluído em 2020 na Faculdade de Belas Artes. Sob orientação da professora Elisa Campos, a tese de Armando Queiroz foi tecida ao longo de dez anos, atravessando o projeto de conclusão de graduação, o mestrado e o doutorado do pesquisador. Uma reflexão estética e política, embebida pela própria trajetória artística de Armando, e por suas "andanças", na Amazônia, no sudeste do Pará e na região central de Minas. Ancorando suas reflexões, estão os sujeitos que o artista paraense encontrou e também as obras - teóricas, mas sobretudo as de artes visuais, da literatura, do cinema e da TV. Na leitura da tese e durante a conversa com Armando Queiroz, somos convidados a um bem fundamentado e poético mergulho no que a ambição do ouro provocou em nosso país, nas míticas que o garimpo criou e nas fragilidades que ele gerou e ainda gera. A tese "Destino Eldorado" foi apresentada em 2020 no Programa de Pós Graduação em Artes da UFMG e está disponível para acesso público online no Repositório Institucional da UFMG.