
Meu jardim é uma folha do Livro da Vida e hoje, um galho da Primavera me ensinou algumas coisas... Estavam compartilhando o mesmo galho, algumas folhas secas, alguns brotos, espinhos e flores. Parei e tentei compreender o que esse galho estava tentando me dizer. As folhas amareladas convivem harmoniosamente com os brotos, como uma foto revelando o movimento incontrolável da Vida. As pequenas folhas não pareciam se incomodar com as cores e a beleza das flores e estas, sabem que a Vida seria impossível sem o galho que leva a seiva e alimenta cada pétala, cada folha. Os espinhos sabem que proteger é tarefa sagrada e cada um realiza seu ofício, para que a Vida seja vitoriosa. Mas... e os humanos? Como sobreviveriam a essa convivência, sem disputar a atenção e o protagonismo desse espetáculo? Talvez todos ambicionassem a beleza da flor, ou a sabedoria das folhas que já experimentaram o brilho e o frio de algumas estações; ou a juventude do broto que parece deslumbrado com a novidade da Vida... quem sabe sonhassem com a força e o respeito que o espinho impõe. Alguns suportariam a tirania do espinho e chamariam isso de amor; outros não conseguiriam enxergar beleza em seu mundo, porque passariam a vida se comparando com a flor; algumas folhas amareladas tentariam conter o viço dos brotos, por inveja e medo de que seu brilho deles ofuscasse as tintas que o tempo misturou; talvez a beleza da flor se transformasse em fardo e profunda necessidade de ser amado. Será que o espinho saberia a diferença entre proteger e submeter? Mas, a vida é sábia e para que o homem não enlouqueça, com sua incoerência e infantilidade, o Grande Arquiteto do Universo nos deu a graça de caminhar e se afastar de tudo que não nos permite brilhar, ou realizar nosso ofício, para que a Vida seja Vitoriosa. Lembre-se você não está preso a um galho, se o que te cerca não permite seu brilho, SAIA! É o que eu desejo para mim e para todos em 2022 e em todos os próximos anos. Texto: Míriam Morata Narração: Marfiza de França