
Neste episódio do Curioso por Ciência o tema é uma descoberta que pode abrir novos caminhos para o tratamento da leucemia mieloide aguda, tipo agressivo de câncer que afeta o sangue e a medula óssea. Pesquisadores da USP em Ribeirão Preto investigaram a atuação do RNA (molécula que está presente em todas as células vivas e que atua na produção de proteínas), especificamente o RNA TERRA, que atua na manutenção dos telômeros, extremidades dos cromossomos, formadas por sequências repetitivas de DNA e proteínas, que protegem o material genético e mantêm a estabilidade dos cromossomos, garantindo que eles continuem fazendo seu trabalho direitinho. Em pacientes com leucemia mieloide aguda, eles perceberam que os níveis dessa molécula estavam desregulados: em alguns pacientes, altos demais; em outros, muito baixos. Em ambos os casos, havia encurtamento dos telômeros. Esse encurtamento pode comprometer a estabilidade genética das células e agravar o quadro da doença. O estudo também revelou que, quando o RNA TERRA está em excesso, os níveis de uma enzima chamada RNaseH2 caem. Essa enzima é essencial para proteger o DNA contra defeitos. Sem ela, a célula pode acumular mutações — e isso dificulta ainda mais o tratamento da leucemia. A boa notícia é que, em testes de laboratório, os cientistas conseguiram aumentar os níveis de outra enzima, a RNaseH1, e com isso tornaram as células da leucemia mais sensíveis à quimioterapia. Ou seja, a pesquisa aponta que modular os níveis dessas enzimas pode ser uma estratégia eficaz no combate à leucemia mieloide aguda. É um passo promissor para o desenvolvimento de novas terapias. O estudo A expressão do TERRA é desregulada na leucemia mieloide aguda faz parte do doutorado de Luiz Fernando Bazzo Catto, defendida em 2023 no Programa de Pós-Graduação em Oncologia Clínica, Células-Tronco e Terapia Celular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, com orientação do professor Rodrigo do Tocantins Calado de Saloma Rodrigues. Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.