
O podcast Curioso por Ciência traz os resultados de pesquisa que investigou como uma substância de uso centenário, o azul de metileno, pode se tornar um reforço valioso no tratamento de um tema crítico nas unidades de terapia intensiva: o choque séptico. O choque séptico, desencadeado por uma infecção generalizada, provoca queda brusca da pressão arterial e pode levar à falência de órgãos. Apesar dos avanços na medicina, continua sendo uma das principais causas de morte em UTIs. Nesse contexto, o pesquisador Fábio Luís da Silva desenvolveu um estudo para avaliar o potencial do azul de metileno como terapia de suporte. A substância atua bloqueando uma via química ligada à produção de óxido nítrico, cuja liberação excessiva é responsável por parte da queda de pressão arterial durante o choque. A pesquisa envolveu 42 pacientes em fase inicial de choque séptico internados no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Todos receberam o tratamento convencional, reposição de líquidos, antibióticos e medicamentos vasopressores, mas metade dos pacientes também foi submetida à infusão contínua de azul de metileno por 48 horas. Os resultados foram promissores: o grupo que recebeu o corante precisou de doses menores de medicamentos para estabilizar a pressão arterial, e essa melhora ocorreu de forma mais rápida. Além disso, o azul de metileno não causou efeitos adversos relevantes, não comprometeu a oxigenação, não alterou negativamente as funções orgânicas e contribuiu para controlar a resposta inflamatória, um dos grandes desafios nesse tipo de quadro. Essas descobertas indicam que o azul de metileno pode ser uma alternativa segura e eficaz como coadjuvante no tratamento do choque séptico, oferecendo nova esperança para pacientes em estado crítico. A pesquisa integra a tese de doutorado de Fábio Luís da Silva, com orientação da professora Maria Auxiliadora Martins, no Programa de Pós-Graduação em Clínica Cirúrgica da FMRP e a defesa foi realizada em 2024. Curioso por Ciência é uma coprodução entre a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, startup Dr. Fisiologia e Rádio USP Ribeirão Preto e São Paulo. Vai ao ar toda segunda-feira, no Jornal da USP no Ar na Rádio USP em São Paulo, 93,7 MHz, a partir das 7h30, e no Jornal da USP no Ar - Edição Regional na Rádio USP Ribeirão Preto, 107,9 MHz, a partir das 12h. estará disponível na home de Ribeirão Preto do Jornal da USP, basta navegar em ribeirao.usp.br.