
A gente cresce ouvindo que morte é dor, castigo, perda. A lógica cristã ensina que é o fim, e que tudo que vem depois é mistério, medo e julgamento. E assim, sem perceber, carregamos um peso enorme: o de acreditar que toda morte precisa ser sofrimento. Mas eu penso diferente. Quando a minha hora chegar, eu quero estar bem. Quero ter vivido o que dava para viver, amado como consegui, deixado o que era meu para deixar. Porque em outras culturas, a morte não é assombro, é passagem. É mais um ciclo que se encerra para que outro possa começar. É retorno, é continuidade, é transformação. O problema é que fomos ensinados a ver só a ruptura, nunca o fluxo. E isso pesa. Pesa para quem parte e pesa ainda mais para quem fica