
Desde "Corra", muito se discute sobre o "novo cinema de terror", gênero que mistura o sobrenatural com debates sociais contundentes. Críticos especializados rejeitam a ideia de novidade, já que, como a ficção científica, o gênero de terror sempre se utilizou de metáforas e símbolos para lançar luz sobre questões importantes como discriminação, isolamento e saúde mental. De Frankestein ao Iluminado, do Dr. Caligari ao Vampiro de Dusseldorf, o terror inverte papeis sociais e nos faz questionar quem é médico e quem é monstro. Na primeira incursão do Diversiarte no gênero, convidamos Priscilla Pachi, doutoranda em geografia e pesquisadora das relações entre capital e fluxos migratórios, para conversar sobre "O que ficou para trás", longa de estreia do diretor Remi Weeks. O filme apresenta um jovem casal de refugiados do Sudão do Sul tentando se adaptar à nova casa no Reino Unido. Às ameaças de deportação, restrições desumanizantes e pressão por assimilação no acolhimento, somam-se os fantasmas do passado: o trauma face os horrores da guerra e da travessia, a culpa de sobrevivente e o luto daqueles que ficaram para trás. Quem são esses refugiados a quem se tanto vilaniza? Do que precisam ao chegar em um novo país? Como ocorrem as passagens pelas fronteiras? Como o acolhimento institucional vigia para produzir "corpos dóceis"? Como esse processo no Brasil difere do modelo inglês? Que tipo de suporte ONGs e sociedade civil podem oferecer? Dicas do episódio: Priscilla: "Samba", de Olivier Nakache e Éric Toledano, "As nadadoras", de Sally El Hosaini e "Estado zero", de Tony Ayres, Cate Blanchett e Elise McCredie Pedro: "A boa mentira", de Philippe Falardeau, e "Hunters", de David Weils Edu: "Flee: Nenhum lugar para chamar de lar", de Jonas Poher Rasmussen , "Years and Years", de Russel T. Davies Links: Instituto Diversidade: www.institutodiversidade.com.br Página IMDB de "O que ficou para trás" ONG Missão Paz (São Paulo) CRAI - Centro de Referência e Atendimento para Imigrantes (São Paulo) Podcast da Priscilla: Reflexões geográficas e cotidianas Dissertação de Priscilla: A precarização na base da mundialização contemporânea: a imigração haitiana na metrópole de São Paulo Artigo do Eduardo: Dinâmicas de aculturação e acesso ao emprego em uma ONG brasileira voltada para a integração social de refugiados haitianos Produzido por Eduardo Estellita e Pedro Schenk Editado por Pedro Schenk