O tempo passou e eu nem vi, não dei o devido valor nego dizendo que era foda e eu achando que era amor disse que o rap era nós, que a favela tem voz e minha marmita azedando enquanto gritava o algoz De pé!!! Seis da matina, sonhando com a multidão sugado no trem lotado pra não pegar no canhão desviando das bala, dos caras que puxam pra baixo sem droga, sem cana, sem perspectiva… é, eu acho que o coração não se engana, mas cadê a grana? Não se trata de fama, só de sobreviver o dever me chama, mas tô pisando na lama quero mudar o mundo, mas nem tenho o que comer Até que ponto foi ilusão? Não quero voltar, tem que correr pra rima vingar, o trampo crescer tem que acreditar que dá pra fazer Vou me jogar, vou me convencer que tô pra somar, mas tem que saber que é pra valer, tem que amar, viver ou morrer. No meu primeiro show tinha uns quinze e eu lá em cima do palco Dez de costas pra mim, cinco com a mão pro alto e eu mandando minha letra, cantando Dico Sequela meu cachê era um mate e um pão com mortadela Negô, chegava em casa com as mãos abanando minha mina olhando calada, minha filha no chão chorando minha mente desnorteada, não enxergava a verdade estava indeciso entre o sonho e a minha realidade sem pena o tempo passou, os dias viraram meses essa história que narro se repetiu várias vezes minha filha cresceu, alguns amigos morreram meus sonhos multiplicaram e os objetivos cresceram. Hoje, DMA, focado, de volta no jogo dando meu sangue e combatendo sempre fogo com fogo não tenho nada a perder, tudo ficou no passado e quem não tá pra somar, não pode estar do meu lado.