
Agricultura Regenerativa, que é um termo ligado à possibilidade de produzir recuperando os solos, com o objetivo de promover a restauração de todo o sistema de produção de alimentos. Parte do princípio que a conservação e o tratamento do solo têm representado aos agricultores uma forma de oferecer sustentabilidade e ao mesmo tempo produtividade ao processo de produção, revertendo-se em rentabilidade. É um modo de agricultura que busca o equilíbrio entre produção e natureza, reduzindo significativamente os riscos de degradação de áreas, ao tempo que recupera outras, degradadas pelos modelos convencionais. A capacidade de transformar da agricultura regenerativa não está apenas nas propriedades físicas, químicas do solo, ou da conservação da biodiversidade. Agrega-se uma transformação social e econômica a este conceito. Social pois está atrelada ao aperfeiçoamento das capacidades humanas, tecnologia e conhecimento de potenciais e limites da terra. Econômico, uma vez que liberta o produtor da alta dependência de insumos externos. Só para se ter uma noção o Brasil importa cerca de 95% dos fertilizantes nitrogenados e potássio, 75% dos fosfatados que consome. A Rússia é um de seus principais fornecedores. Com o ataque russo à Ucrânia, o preço da ureia no mercado de derivativos de fertilizantes subiu 42% e o fósforo, 16%. Reduzir a dependência de insumos e tecnologia externas, significa melhorar o superavit brasileiro na balança comercial. Nessa linha, o mercado de produtos biológicos e naturais (ou bioinsumos) – que atua de forma eficaz no equilíbrio do solo, vigor e sanidades das plantas, cresce de forma acelerada no Brasil, contribuindo para a agricultura regenerativa. O Brasil já movimenta mais de US$ 300M em produtos biológicos e o mercado cresce acima de 20% ao ano. É o país do mundo de mais rápida adoção, sendo que dos quase US$ 3 Bi, o Brasil já representa 10% em valor de mercado. Hoje, os biológicos podem melhorar a eficiência dos químicos e da adubação, e em diversos casos podem mudar o patamar de produção e rentabilidade dos produtores rurais. Tudo isso exige uma visão nova de mundo e de agricultura. Os biológicos exigem uma visão mais holística da produção. Eles não têm um único mecanismo de ação, têm em geral 4 ou 5 por exemplo combinando em um mesmo produto: • Promoção de crescimento; • Controle de um alvo; • Equilíbrio de outros processos. Com isso, estamos caminhando para uma agricultura regenerativa, que age sobre a paz e a saúde da humanidade. Com as tecnologias biológicas e naturais pode-se produzir mais sem aumentar a área. Assim, os biológicos têm entregado aumentos de 3 a 9% de produtividade, com consistência, em diversas regiões. São produtos ainda mais eficientes e mais seguros, para quem aplica e para quem consome o que é produzido. No hall de biológicos, um dos de maior interesse são algas que vivem na superfície do solo. Elas captam gás carbono do ar e fixam nitrogênio, melhorando a disponibilidade de nutrientes do solo e acelerando a ciclagem de matéria orgânica, essencial para o desenvolvimento das plantas. As algas fazem o trabalho que fazemos quando colocamos fertilizantes químicos, porém de graça. Este é um bom caminho na para sustentabilidade, saúde e paz. Se existe uma nova revolução na agricultura, que seja a regenerativa, que produz, recupera e conserva os tão escassos recursos.