
O tema é delicado, se algum ouvinte que se vê ou se viu na condição de atingido por uma inundação não se sinta ofendido, antes de qualquer coisa sou solidário a dor de quem foi atingido e sofreu consequências desse tipo de calamidade. Quando vejo uma situação de calamidade por uma inundação não posso deixar de ilustrar algumas falas que ouvi durante esses dias: 1º - “50 anos morando aqui e nunca vi uma enchente dessas”. Essa frase faz muito sentido. Ilustra a observação da sociedade sobre os impactos ambientais e suas consequências que têm causado as mudanças climáticas. A fórmula para o desastre é simples: 1º Desmatamento além dos limites naturais, o espaço que deveria ser conservado para evitar: a. Erosão àAssoreamento àCapacidade de infiltração da água no solo àControle da velocidade dos cursos d’água b. O assoreamento é fruto da erosão, por sua vez causada pelo desmatamento. Toda terra carreada para dentro de um rio, reduz a profundidade do leito desse rio, com menor profundidade é inevitável que haja transbordamento a qualquer chuva mais forte; 2º Ocupação das áreas de matas ciliares à As ocupação de áreas marginais aos rios, nos espaços que deveriam ser exclusivos de matas ciliares para sua proteção é inadmissível. A natureza precisa de seu espaço, uma hora ou outra ela vai vir e tomar o que é dela de volta. 3º Intensidade das chuvas à As mudanças climáticas tem causado alterações nos regimes de chuvas, secas prolongadas e chuvas mais intensas – chove-se de uma vez o que era para ter chovido em um mês. Só para gente ter uma dimensão, quando se fata que choveu nas 100 mm de chuvas, é o mesmo do que dizer que foram 100 litros de água acumulado em um metro quadrado. Quanto menor for o espaço e a capacidade de infiltração de água no solo, maior será a concentração de água em outro lugar e aí a inundação é certa. Sabemos que a cada evento climático ou meteorológico extremo resulta de uma séria interrupção do funcionamento normal de uma comunidade ou sociedade, afetando seu cotidiano. Quais as alternativas para evitar e diminuir os problemas e essas tragédias: 1. Desocupação das áreas ciliares. No meio urbano, políticas públicas de habitação dignas. No meio rural, paralisação das atividades agropecuárias. Em ambos, isolamento total desses espaços e recuperação florestal. Ou, 2. Arrumar um jeito de controlar a natureza. Não tem alternativa. Entendem? Cobrar do governo a construção de infraestrutura não resolve o problema, só posterga. É hora de tomar decisões firmes enquanto é tempo. Aquele futuro a ciência dizia sobre aquecimento global chegou. Parece que foi ontem quem em 1975 – o termo aquecimento global passou a ser usado. Mas não, já fazem mais de 45 anos. Tem gente que insiste em negar e defender o indefensável, mas a realidade bateu a nossa porta e precisamos tomar medidas urgentes.