
A aprendizagem de habitar a diferença. Durante muito tempo, muitas diferenças não tinham nome. Eram frequentemente interpretadas como incapacidade, inadequação, timidez excessiva, dificuldade ou falha. Hoje vivemos outro momento. Temos diagnósticos, investigação, maior reconhecimento e novas possibilidades de acompanhamento. Para muitas pessoas, encontrar um nome para aquilo que vivem pode trazer compreensão, acesso a cuidados e o reconhecimento de uma experiência que durante anos permaneceu invisível. Mas talvez exista uma aprendizagem que começa depois: sabemos habitar aquilo que aprendemos a reconhecer? Neste episódio parto também da minha própria infância, sem procurar reinterpretar retrospetivamente aquela criança através de um diagnóstico: da dificuldade em socializar, da solidão, do medo na escola e da mudança que aconteceu quando encontrei outras condições relacionais. Partilho sobre a diferença entre reconhecer uma condição e transformar essa condição numa identidade, sobre adaptação e autoabandono, segurança, contexto e sistema nervoso, e sobre a possibilidade de deixarmos de perguntar apenas “o que tenho?” para começarmos também a perguntar: “Como posso habitar aquilo que faz parte da minha experiência?” No final, partilho uma breve microprática de Escuta Matricial para entrar em relação com uma diferença sem precisar imediatamente de a corrigir ou definir. Este episódio abre também algumas das questões que atravessam o percurso Habitar a Diferença na Intimidade Matricial. www.anataboada.com