
Ser indiferente às coisas indiferentes. Grande parte do que nos acontece na vida são coisas indiferentes, que recebem demasiada atenção e prejudicam o nosso bem-estar. São leves gotas que caem e, de repente, transformam-se num dilúvio. No entanto, muitas dessas gotas são insignificantes, não merecem atenção nem energia. São partes da vida, aspetos menos positivos que sempre nos irão acontecer. Se estas insignificâncias nos incomodam e são recorrentes, há todo o interesse em lhes sermos indiferentes, para desfrutar dos dias com mais tranquilidade. Queremos paz, mas alimentamos tempestades. Culpamos o mundo pelas amarguras, mas não é ele o causador do desconforto. Somos nós que lhe damos força, somos nós que alimentamos o mau estar com uma imaginação infantil, que não compreende nem domina os contratempos da vida. Se uma criança parte a janela da nossa sala, esse acontecimento é inerte, não tem a capacidade de nos incomodar. Somos nós que nos concentramos no preço do vidro, no tempo que demora a trocar, no frio que irá entrar e produzimos julgamentos sobre a janela partida. Somos nós partimos a mente ao desencadear emoções amargas, no entanto, também somos nós que temos a capacidade de diminuir a importância deste acontecimento. Marco Aurélio ensina-nos a evitar o massacre mental gerado por coisas insignificantes, ao afirmar que para viver da melhor maneira, basta que sejamos indiferentes às coisas que são, por natureza, indiferentes.