
A Missa tinha começado quando se escutaram as sirenes de ataque aéreo. Mesmo para quem já se habituou a isso, há sempre um frémito de medo, de receio pelo que possa acontecer. Às vezes, é apenas falso alarme. Mas, outras vezes, os céus transformam-se em palcos de batalha com mísseis que procuram abater outros mísseis carregados de explosivos e que trazem um alvo pré-definido. Um alvo que pode ser a nossa casa, a nossa escola, a nossa rua… É sempre assustador. A guerra está presente em todo o lado e muitas famílias carregam a angústia de saberem que os seus maridos, os seus pais, irmãos, filhos, estão na linha da frente com uma arma nas mãos a defender o país. O número de mortos e feridos, o número de mutilados desta guerra é já astronómico. E os jovens são forçados a lidar com isso todos os dias. Este medo, esta sensação de impotência é o primeiro campo de batalha que muitos rapazes e raparigas da Ucrânia têm enfrentado, desde que o país foi invadido a 24 de Fevereiro de 2022. Têm de aprender a conviver com isso. É muito difícil e doloroso. A Igreja procura dar respostas, procura ser um ombro amigo, procura estar ao lado destes jovens revoltados e assustados. Essa é também a preocupação do Pe. Waleriy Dubyna. Ele é um dos responsáveis da Pastoral Juvenil e a sua missão é ajudar a “construir o futuro”. Uma missão que é consolo e esperança num país que tem de lutar de armas na mão todos os dias pela sua própria sobrevivência... Uma missão em que se procura mostrar, aos mais novos, que apesar dos tempos dramáticos que se estão a viver, eles não estão sós. Este é um tempo duro. O futuro dos jovens da Ucrânia é uma incógnita. De certa forma está a ser decidido nas trincheiras, onde os mais velhos, os pais, tios e amigos lutam de armas na mão. É o futuro de um país e de uma geração que está a ser conquistado com sangue e muitas lágrimas. O papel da Igreja é, por isso, incrivelmente importante. Ajudar estes jovens é também uma das missões da Fundação AIS, através do apoio que é dado directamente à Pastoral Juvenil e a todos os sacerdotes e religiosas que todos os dias amparam e protegem os rapazes e as raparigas da Ucrânia. Muitos estão já de luto. A Ucrânia é um país em guerra em pleno coração da Europa. É bom não esquecer isso… Paulo Aido www.fundacao-ais.pt