
Abanar consciências, comover, fazer pensar. Rezar. Há uma exposição que faz tudo isto. Questiona, deixa as pessoas por vezes em lágrimas. A exposição tem um título que é também uma provocação. Chama-se “Liberdade Garantida”, está patente ao público no Museu Diocesano de Santarém, e é quase um murro na nossa indiferença. Lá dentro, no Museu, em 11 momentos, em 11 instalações, está à vista de todos o sofrimento de milhões de pessoas. São todos vítimas da perseguição religiosa nos dias de hoje. Miguel Cardoso, o autor deste trabalho artístico – que tem o apoio da Fundação AIS – garante que é impossível sair indiferente da exposição. E tem toda a razão. Há um escândalo no que é mostrado. Um escândalo que acontece debaixo dos nossos olhos e que tantos insistem em não querer ver. No entanto, a exposição obriga o visitante a abrir os olhos, abana as consciências. Há uma réplica do Sudário de Turim com a imagem do menino sírio Alan Kurdi, de dois anos de idade, e que morreu afogado numa praia da Turquia em Setembro de 2015. Há um sem-abrigo a dormir, num saco-cama, por baixo da imagem em tamanho real de Cristo ensanguentado, descido da Cruz. Há um bote de borracha ao lado de barcos precários e sobrelotados no Mediterrâneo, onde podemos ver pessoas prestes a afogarem-se… Há uma cruz queimada, junto a imagens vídeo de pessoas enfurecidas a destruírem igrejas… Não é possível ver esta exposição sem se sentir um incómodo, sem se sentir um choque. São histórias de cristãos vítimas de intolerância, de violência. Numa das salas há uma pequena cruz em azulejos com os rostos de alguns dos mártires da Igreja. Todos eles morreram, todos eles foram mortos, foram assassinados nos últimos anos. São recordados ali apenas 25. São rostos de leigos, bispos, padres e irmãs. Todos eles deram a vida por Cristo em vários países, da China à França, de Moçambique ao Paquistão… Todos eles foram vítimas da perseguição religiosa. Esta exposição, no Museu Diocesano de Santarém, que tem mesmo de ver, é também uma mostra do trabalho que a Fundação AIS realiza em todo o mundo. Um trabalho fundamental, pois há milhões de homens, mulheres e crianças que precisam de ajuda, que sofrem, que são violentados, perseguidos, apenas por serem cristãos…