
Um coração inconsolável por este mundo Deus colocou em nós fome e sede por consolo. O problema não é termos essa fome, mas buscarmos satisfazê-la no lugar errado. Pequenos desvios parecem insignificantes no começo, mas, mantidos ao longo do caminho, podem nos levar para muito longe. Por isso, o Senhor quer endireitar nossas veredas e corrigir nossa alimentação: não precisamos deixar de ter fome, precisamos aprender a comer daquilo que realmente nos satisfaz.¹ Muitas vezes lutamos contra os prazeres da carne sem aprender a desfrutar do prazer em Deus. Tentamos nos consolar com distrações, pessoas, reconhecimento, dinheiro, descanso, pensamentos, telas ou outras coisas deste mundo. Mas Deus é a comida que satisfaz plenamente. Quando nossa alma estiver angustiada, precisamos aprender a recorrer a Ele como nossa primeira reação. Uma das fontes de consolo é lembrar aquilo que Deus já fez. O salmista recorda a restauração realizada pelo Senhor e, mesmo chorando no presente, encontra esperança para continuar semeando. Precisamos cuidar daquilo que ocupa nossa mente e nossos olhos, porque um coração alimentado pelas coisas erradas perde a capacidade de lembrar do seu Criador.² Também encontramos consolo na bondade e na misericórdia de Deus. Para experimentar misericórdia, apresentamos a Ele nossa miséria e encontramos o Seu coração. Quando escondemos nossa condição, endurecemos o coração e permanecemos famintos. Mas quando nos aproximamos com sinceridade, descobrimos novamente que Deus é bom.³ Outra parte do banquete é aprender a esperar. Simeão esperava a consolação de Israel, que é Cristo. Deus não desperdiça a espera: enquanto esperamos nele, Ele prepara nosso coração para receber e reter Seu consolo. Contentamento não significa ausência de luta, mas um coração capaz de permanecer satisfeito em Deus enquanto espera.⁴ Deus também nos consola por meio do corpo. A consolação que recebemos não é somente para nós; somos consolados para consolar outros. A dor de um irmão pertence ao corpo, assim como sua cura e seu consolo. Precisamos uns dos outros para experimentar a riqueza que Deus repartiu entre os Seus filhos.⁵ A Palavra também é fonte de consolo. Mesmo quando nossa compreensão parece limitada, podemos permanecer apegados às Escrituras, esperando nelas e permitindo que nos lavem. À medida que buscamos o Senhor como nossa satisfação, Ele muda os sabores da nossa boca: aquilo que antes parecia desejável perde seu poder, e cresce em nós o prazer pela vontade de Deus. Por isso, somos chamados a recusar o consolo oferecido pelo mundo. Nossa alma pode dizer: “esperarei no Senhor”. Não precisamos de força para buscá-lo; precisamos de rendição. Na fraqueza, na angústia e na dor, podemos entregar tudo a Ele e receber a força que vem dele.⁶ Perguntas para reflexão: Onde vou instintivamente quando minha alma dói? O que tenho usado para tentar consolar meu coração? Por que Deus nem sempre é minha primeira reação? Tenho visto Cristo verdadeiramente como meu descanso? Tenho confundido busca por Deus com necessidade de ter força? Existe algo que transformei em ídolo por buscá-lo repetidamente como fonte de consolo? Tenho aprendido a esperar no Senhor e a me alimentar da Sua Palavra? Tenho repartido com meus irmãos a consolação que recebo de Deus? ¹ 2Rs 7:3-8; Jo 4:31-34. ² Sl 126:1-6. ³ Sl 119:76-77; Lm 3:22-23. ⁴ Lc 2:25-32. ⁵ 2Co 1:3-4; 1Co 12:25-26. ⁶ Sl 77:1-3; 119:81-82; Mt 11:28-30.