
Descobrir o falecimento de um amigo, parceiro ou familiar por meio de um comunicado insensível nas redes sociais, uma notificação de aplicativo ou, até mesmo, durante uma transmissão ao vivo. Parece impossível, né? Mas a cena, que há poucos anos realmente poderia ser (porque, de fato, é!) um absurdo, tornou-se uma tendência frequente e dolorosa na cultura digital contemporânea. A necessidade desenfreada de figurar como o "primeiro a publicar" e a corrida pelo engajamento atropelaram preceitos básicos de humanidade, cuidado e respeito ao luto alheio. Para tratar desse fenômeno e, quem sabe, entendê-lo, o Interessa recebe nesta terça-feira (03) - pós Dia de Finados - a professora de psicologia do UNI-BH, Aline Ottoni, a fim de investigar a falta de repertório emocional da sociedade moderna para lidar com temas difíceis - e os estragos provocados pela comunicação fria intermediada por telas. Informar uma tragédia a alguém através de um chat ou postagem pública funciona como uma espécie de escudo para quem envia: o emissor se blinda do impacto emocional direto, da reação de dor e do confronto "olho no olho". No entanto, para quem recebe a notícia, o impacto bate como um golpe devastador, sem qualquer preparo, acolhida ou o conforto de um abraço presencial. Por isso esse papo é tão necessário. Acompanhe!