
To get transcripts and additional notes (and to support the podcast), please visit: https://buymeacoffee.com/elisousa Please note that simple, unedited transcripts are available on that site. Additional notes are available for private students. Are you one of them? Send me an email requesting the notes! To get started right away in my school and learn more about how we can help you, start here: https://portuguesewitheli.com/get-your-roadmap/ And here is the monologue for your benefit: Meu casamento acabou por causa do meu sogro. Explico. Conheci minha ex-esposa em Fortaleza, mas ela era manauara. Então não tive oportunidade de lhe conhecer os pais antes do casório. No dia do casamento, vi o velho assim, de relance, e troquei umas palavras com ele, e a impressão foi que ele nem fedia nem cheirava. Mas calhou de irmos visitar a família dela seis meses depois de casados. Eles moravam numa cidadezinha do Amazonas. Cheguei na casa e tomei um susto: tinha carabinas, espingardas, arco e flecha e até mesmo uma lança. Perguntei à minha esposa para quê tudo aquilo, e ela me disse que era o passatempo do pai dela, que ele gostava se embrenhar na mata e praticar tiro-ao-alvo. Fiquei curioso. Se ele tinha arma em casa, ele tinha porte de armas? Ela achava que sim. O velho me chamou para trocar umas ideias na sala. Em cima da mesa de centro, havia um quati empalhado. Fiquei encucado. O homem tinha arma e ainda tinha um animal empalhado. Será que... Enquanto eu estava matutando, chegou um rapaz de não mais de vinte anos—era meu cunhado—segurando pelo rabo um jacuruxi morto. “A caça hoje rendeu, pai,” foi o que ele disse, ao que o velho deu uma gargalhada e disse que aquele era dos grandes. Arrisquei uma pergunta a mais: o que iam fazer com aquele animal? “Cozinhar, é claro! E ainda dá para aproveitar o couro.” Senti um embrulho no estômago, não só porque eu não comia lagarto, mas também porque, que eu soubesse, caça era ilegal, fosse para subsistência ou não. Depois meu sogro me convidou para ir ver o que ele tinha na garagem. Lá era que a coisa estava pior. Tinha um freezer cheio de carne de procedência duvidosa. Sei lá que zoonose eu ia pegar se comesse aquilo. Não foi à toa que não comi nada no almoço. E de lá chamei minha esposa para ficar numa pousada. Chispei de lá o mais rápido possível. E, quando tive chance, dei uma ligadinha para o IBAMA, para denunciar aquele homem. Ele não ia sair impune. E não saiu. Teve de pagar uma multa e foi fichado. Que bom. Mas, quando descobriu o que eu tinha feito, minha esposa me deu um pé na bunda. Mas sou assim mesmo: faço o bem, não importam as consequências.