
Hoje, depois de acordar, me olhei no espelho e eu não estava lá, era outro no reflexo, irreconhecivelmente igual, nem quem eu fui e nem quem eu quero ser, era alguém que se perdeu e foi parar em Icaraí, alguém que não tinha o que era meu e esqueceu de si, que das próprias virtudes se desprendeu e apagou tudo que vivi, largou tudo que aprendi, largou sua cidade para viver um sonho, uma fagulha no breu; descobriu na irmã um demônio, e agora o próprio destino não é mais seu, talvez nunca tenha sido, e se da raiva tivesse se desprendido, deixado-a partir, se além disso alguma coisa conseguisse sentir, se é só esquisitice ou de fato escondo o meu verdadeiro eu, se fosse mais eu ou menos eu, estaria ainda aqui ou teria sido jogado aos leões do Coliseu? Sou uma sacola vazia que ficou por aí, com o vento a me levar, se tivesse algo para dar trocaria por um coração fértil de amor e a sabedoria de perdoar