
Não sei se me entrego ou se só aceito o mau gosto da sorte, a caminhos predefinidos não me apego, expectativas não rego, ando sem um norte, uma bússola é tão inútil quanto a prudência, o quão fútil é a aparência; meu horizonte é traçado por linhas tortas, vejo meras tábuas de madeira que todos insistem em chamar de portas, todo esse grande valor, a propaganda dum predial esplendor, são ideologias de paisagem, acho tudo uma grande bobagem, oportunidades não te encerram num cubo; eu apenas me masturbo, pois não faço sexo sem amor; as verdadeiras chances são aquelas que a gente se nega a ver, são os sonhos que a gente se priva de ter, o lúdico não é digno, a arte não é labor, o tédio é fidedigno e por isso tem valor, então a gente rasga o poema e se condena a uma vida sem calor