
Olá! No ar podcast sobre Gregorio de Matos e Guerra, o Boca do Inferno. Poeta tipicamente barroco, é uma figura cultural importante: seus poemas circulavam de forma oral pela Bahia e, por tocar viola da gamba, fazia-se acompanhar por instrumento, sendo talvez o primeiro "cantautor" (poeta e compositor, como Caetano Veloso) brasileiro. Além de referências específicas à sociedade e tipos humanos locais, em alguns de seus poemas encontramos uma estética verbal baseada no hibridismo linguístico -- como no poema "Disparates na língua brasílica". Multifacetado, compôs poemas satíricos (sobretudo contra poderosos), pornográficos, líricos (alguns bastante sofisticados e atentos às normas nobres da versificação da época), bebendo e circulando pelas fontes popular e erudita com desembaraço e qualidade estética. A circulação oral de seus poemas gerou uma série de problemas filológicos e de crítica textual em relação à atribuição de autoria e outras questões. Sua poesia começa a ser recolhida em livro somente em finais do século XVIII e sua revisão crítica é encetada por Araripe Júnior na segunda metade do século XX. Seria reivindicado por diversos movimentos artísticos e culturais: da Antropofagia à Tropicália, passando pelo Concretismo. Neste sentido, vale a pena a leitura deste material complementar: https://abralic.org.br/anais/arquivos/2015_1456107913.pdf