
Bem-vindas ao Podcast 4 de Ficção Brasileira I. Nosso "convidado" de hoje é José de Alencar, a quem conhecemos como romancista, mas que também escreveu crônica-folhetim (ou seja: crônica publicada no rodapé da primeira página de um jornal do século XIX). Estudaremos duas dessas crônicas, procurando entender como o cronista registra o cotidiano em uma cidade que passa por um processo de urbanização, com inovações técnicas e culturais que causam grande impacto sobre a paisagem urbana e as relações de convívio. As duas crônicas tratam de inovações neste sentido: a inauguração do Jockey Club (que se localizava, então, no Engenho Novo) e a entrada em cena do carnaval dos corsos, bailes de máscaras e Sociedades Carnavalescas. O cronista-folhetinista assume um tom que não é apenas informativo, apresentando, também, uma espécie de função pedagógica, ensinando o "modo de usar" da cidade moderna e seus costumes e práticas sociais, mas a partir de uma perspectiva que, ideologicamente, endossa o controle social (até mesmo pela natureza do trabalho jornalístico no século XIX, em que se pratica a escrita sob encomenda/demanda e sob orientação ideológica previamente determinada). Em uma delas, surge, pela primeira vez, a analogia entre o cronista-folhetinista e o colibri, pelo voo baixo ("ao rés do chão", como diria Antonio Candido) e em zigue-zague, sempre mudando de assuntos e oscilando entre a seriedade e o gracejo. Alencar também compara o cronista-folhetinista ao sapateiro e à formiga, ressaltando, assim, o aspecto laborioso de seu trabalho, uma espécie de artesanato seriado, uma vez que o jornal do século XIX foi uma forma destacada de difusão da cultura letrada em escala de massa. Além disso, o cronista-folhetinista, como o operário e a formiga, faria um trabalho contínuo e de natureza perecível, pois, como dizia o ditado da época, "a crônica de hoje embrulha o peixe amanhã". O próximo podcast irá ao ar no dia 26/09. Fiquem atentas! Peço, para ele, leitura prévia de duas crônicas de Machado de Assis presentes na apostila: a primeira, publicada no jornal "O espelho", em 1859; e a segunda, identificada sob o título "Bondes elétricos". Até lá!