
Hoje estudaremos um pouco da poesia de Cláudio Manoel da Costa, que, em 1768, publica suas "Obras", com a qual inicia o Arcadismo entre nós. Destaca-se, em sua poesia, a tematização do elemento mineral, que, como símbolo poético, assume diferentes significações, do tom metafísico ao socioeconômico. Como ocorrera com outros homens letrados que o precederam, Claudio percebe um lapso entre as novidades estéticas europeias (baseadas na valorização da natureza pelo "locus" ameno) e a realidade colonial. Foi o primeiro poeta nascido no Brasil referido por um crítico estrangeiro -- no caso, Friedrich Bouterwek, que, ao tratar da história da literatura em línguas românicas, dedica um capítulo a Portugal, ali inserindo o elogio de Claudio Manoel da Costa. Foi exímio sonetista e chegou a escrever poemas em italiano. Infelizmente as traduções que fez de Metastasio se encontram perdidas. Na opinião de Alfredo Bosi, foi um poeta com sólida formação humanista. Na abertura, trecho da "Canção Pastoral", de Haydn, compositor que se encaixa nessa reação neoclássica do século XVIII.