
O poema, de autoria e declamação da própria poeta, Dheyne de Souza, foi publicado no livro Lâminas (2020) pela martelo casa editorial. "tem dias que amanheço lembrando que sou forte, que sou ferro e que, se calhar, sou brasa. tem dias que amanheço com aptidão suficiente para gritar pra quem for que aqui na minha ilha não aceito expropriação. que aqui na minha angústia há guelras e já me disseram que aprendi a respirar. que aqui no meu oco eu espero. tem dias que amanheço de prontidão pra qualquer tipo de revolução. tem dias que amanheço líquida, rosa, gauche. tem dias que amanheço com os olhos não baixos. tem dias que não importa a lâmina. tem dias que não me importo com nada porque tudo é absolutamente relativo. tem dias que as notícias as estatísticas os fatos mais graves não me abalam. não abalam a minha f. tem dias que amanheço de olhos secos, alma enxuta, lençóis calmos. que me lembro de molhar as plantas, tomar banho, comer e todas essas atividades que não têm o menor sentido de dentro do túnel. tem dias que são implacavelmente. que amenizam todo e qualquer pavor paz urro. tem dias que são braços fortes. tem dias que olho o arquipélago como se fosse turista. tem dias que reclamo dos preços mas não perco o sono em silêncio. tem dias que eu consigo sair pelo humor. que amanheço de olhos pra fora. de voz equilibrista. de pé. tem dia que não é necessário repetir. não é necessário calar. não é necessário. tem dias que as palavras não cortam, que os medos suportam, que o ar não tem dificuldade de entrar. tem dias que eu não penso em fascismo em horror em socorro. que não corro. tem dias que não são plumas ao relento. tem dias que são só um filme. que são só calma, que pode não vir o pior. tem dias em que parece mentira que já estamos. que vamos. que. tem dias que amanheço uma flor no asfalto. tem dias que falo. tem dias que não me lembro de calar. tem dias que amanheço pra linha de frente. pro cálice. pra resistir até passar. tem dias valentes. muralha. labirinto. que acordo sem frio, que saio sem rumo, que falo sem pensar. tem dias amenos, atentos, isentos. tem dias que não. tem dias que os amigos que andavam nas ruas tem dias que o sangue que era de sangue tem dias que os números são só caracteres valores não tem dias que o abraço no aperto entre o oco e o bate tem dias que amanheço tem dias que não" O Literatura e Feminismos é uma produção do LAC Apresentação: Fernanda Valim Coordenação Geral: Fernanda Valim Vice-Coordenação: Gustavo Rückert Arte: Rebecca Monteiro Apoio: Cristina Forli, Rebecca Monteiro, Carolina Ansani, Léia Pierucci, Laís Olivato, Lilian Godoy, Ana Paula Nogueira Nunes, Yasmin Moreira, Ana Clara Marques, Lara Rodrigues, Victor Benfica, Cleonice Lopes, Taíza da Silva, Jáliton Ferreira, Caroline Azevedo. Identidade Visual: Thiago Moura e Rebecca Monteiro Edição: Fernanda Valim e Cristina Forli Divulgação: Amanda Azevedo e Gilenna de Oliveira. Produção: LAC - Grupo de Pesquisa em Literatura, Arte e Cultura (CNPq/UFVJM) = = = = FALE CONOSCO Email: lacgrupodeestudos@gmail.com Instagram: https://instagram.com/literaturaefeminismos?igshid=61iveuq6va86