
Lembro bem do gigantesco medo que eu sentia quando não conseguia aprender alguma coisa. Era um pavor assustador de ficar de fora do grupo dos que já sabiam. Em casa; eu era o mais novo e todos os meus irmãos já sabiam ler e contar e entendiam como funcionava a tabuada e o dinheiro. Enquanto que para mim aquilo era assustadoramente desconhecido e na época eu pensava que jamais ia entender aquelas coisas. Eu não tinha a perspectiva que meu irmão seguinte estava dois anos adiante e assim por diante com cada um dos mais velhos; e que dois anos de escola inicial fazem muita diferença. Para mim os anos de alfabetização foram de muita angústia e humilhação vinda de meus irmãos que me chamavam de burro e bebê. Na maioria das vezes; bebê burro. Não foi diferente na adolescência, todos já tinham experiências sexuais e eu fiquei virgem por muito tempo. Sempre me sentindo acuado e por fora. Quando comecei a beber eu me especializei nessa matéria e finalmente tive o reconhecimento que tanto almejava. Mas os vícios me levaram ao caminho da destruição e eu detestava ser escravo daquela ou de qualquer substância. E quanto mais se passavam os anos; eu me sentia mais humilhado, envergonhado, culpado e amedrontado porque nuca sabia direito o que fazer. E tinha sempre tanto medo que as pessoas se zangassem comigo porque eu demorava a saber o que fazer. Aprendi a manipular as pessoas com choramingos e reclamações pra que elas não ficassem tão zangadas comigo. Pra que não exigissem tanto de mim. Ao entrar em recuperação e escrever meu inventário, comecei a perceber que tinha direito de ser diferente; talvez eu fosse de fato mais lento. Mas perdi a vergonha de ser quem eu sou quando em reunião ouvi que é de fato uma pena que o cavalo não possa ensinar velocidade à tartaruga. E senti um profundo bem querer pela pessoa que eu estava descobrindo que era. Comecei a gostar de mim mesmo, do jeito que eu era. E com o tempo descobri que tinha qualidades extraordinárias. Parei de me comparar com os outros, e me concentrei em conhecer a mim mesmo. Comecei a desatar todos aqueles nós que me impediam de ser feliz. Foram pequenas descobertas que ao longo dos anos foram abrindo e colorindo meus caminhos. Com a ajuda de Deus fui descobrindo uma arma para cada evento que me consumia, me esgotava e deprimia. Meditação para o dia: Praticando os 12 Passos; me protejo com as armas na autodescoberta. Texto - S. B Quevedo do livro "Um dia de cada vez todos os dias" Narração - Christian Simon Edição - Antônio Leal Produção - Marta Lima © Videobes 2017