
O programa de 12 passos me deu a chance de descobrir a mim mesmo. De modificar minha autoimagem, de construir uma vida nova, serena, sóbria e pacífica. Livre das acusações, da gritaria, do descontrole, do ódio vingança e raiva que permeava minha relação com meus parentes. Sempre uma briga, sempre uma chantagem sempre uma ameaça, um terror, sempre uma crítica pra me deixar inseguro e apavorado. Ao me libertar desses relacionamentos comecei a confiar em meus instintos e em minhas capacidades. Comecei a construir novos valores. Meus valores. Tomei a decisão de ambicionar uma vida melhor pra mim. Livre da megalomania, da necessidade de aplauso e de reconhecimento. Decidi interromper a cadeia que me arrastava a ter um papel doentio nos rituais dos parentes. Natais, feriados e domingos de churrasco perderam o poder de me atrair a recair nos velhos modos de ser. Deus continua abençoando minha vida com serenidade e prosperidade, e meus domingos, natais e feriados são do modo que eu decido que sejam. Entre pessoas que são cada um responsável por si mesmo. Não preciso mais me comportar com o medo que eu tinha de ser reprovado, naquilo que visto; naquilo que digo, e naquilo em que acredito. É um paradoxo interessante perceber que quanto mais tempo estou afastado daquele meio, mais tolerante e compreensivo me torno em relação à história de meus parentes. Nossas vidas continuaram e eu os vejo hoje como num filme trágico, em que não participo mais, mas de fora; posso perceber a dimensão da doença da compulsão e obsessão que arruína famílias inteiras e todos os seus indivíduos. Sigo sereno e atento à minha impotência de mudar os outros. De curá-los. De fazer com que melhorem. De sequer conseguir influenciá-los para uma vida sadia. E quanto mais me curo, melhor exemplo dou; aos que me cercam e a quem amo muito. Parece egoísmo, mas, preciso manter meu propósito de sobriedade em primeiro lugar. De manter minha nova vida. Meditação para o dia: Festejarei minha nova vida sendo alegre. Desfrutarei de cada segundo de minha nova paz. Texto - S. B Quevedo do livro "Um dia de cada vez todos os dias" Narração - Christian Simon Edição - Antônio Leal Produção - Marta Lima © Videobes 2017