
Certa vez fiz a segurança de um prostíbulo. Era só um trabalho; mas me entristecia ver aquelas pessoas trocando sexo por dinheiro e ver que ambos os lados saíam sempre mais vazios e pobres do que quando entravam. Eu já sabia que bebia de maneira compulsiva, mas não imaginava que seguindo o rumo da compulsão me encaminhava para me juntar àquelas pessoas que me pareciam tão perdidas e sem volta. Em recuperação compreendi o significado de fuga e como o ser humano é capaz de elaborar raciocínios e justificativas para se manter no vício. Qualquer que seja o objeto de vício, sempre há uma aprovação da sociedade para perpetuar a fuga. Os defeitos de caráter ficam encobertos pelo orgulho das bravatearias. Enquanto vivermos num meio onde ser corrompido é ser esperto, nos envergonhamos de ter bom caráter. De fazer o que é bom e justo. Mas em recuperação encontramos muitas outras pessoas que trabalham duramente para parar de fugir de suas realidades e compartilhamos nossas frustrações e nossas dificuldades de lidar com um mundo tão cheio de perversidade. Vamos reforçando nossa fé no bom e no bem e no sadio. Vamos compartilhando nossas dificuldades e lentamente vamos identificando e admitindo nossas próprias falhas de caráter e começamos a ficar fortes o bastante para fazermos escolhas sensatas. E nossa realidade vai se tornando um local seguro para nosso progresso espiritual. E fugir perde seu encanto. Vejo que consegui sair daquele meio de pessoas perdidas em si mesmas, e encontrei o caminho da recuperação. Verdadeiramente entreguei minha vida e minha vontade aos cuidados de um Poder Superior, como eu O concebi; e sinto que tudo está bem. Meditação para o dia: Só por hoje, vou compartilhar minhas dificuldades com pessoas que também procuram o progresso espiritual e parar de fugir. Me tornei forte, confiante e sensato para perceber as diferenças. Texto - S. B Quevedo do livro "Um dia de cada vez todos os dias" Narração - Christian Simon Edição - Antônio Leal Produção - Marta Lima © Videobes 2017