
Sempre me achei tão corajoso porque era capaz de todo o tipo de bravatearia. Antes da recuperação eu tinha conceitos bem equivocados de sentimentos humanos. Especialmente os meus. Eu me conhecia muito pouco. Comecei com o passo 1, admitindo. Era desagradável admitir que eu tinha limitações. Era assustador admitir que eu não tinha o poder que fingia ter. Mas o passo 1 me ajuda a perceber. E perceber é uma arma muito poderosa para a mudança. Fui mapeando minhas atitudes, minhas respostas e comportamentos. Pela primeira vez em toda a minha vida comecei a observar a mim mesmo em vez de copiar os outros. Muito lentamente, consegui perceber que eu sentia medo. Era uma fraqueza que eu sempre negava sentir. Até decidir me soltar e observar aquele medo. Definir se ele era imaginário ou real. Se era justo ou irracional. Cortando meus medos em pedaços pequenos para poder analisá-los eu ia compartilhando com meus companheiros; e, para meu grande espanto o medo ia perdendo sua força e seu vigor e melhor de tudo os meus medos começaram a perder a utilidade de produzir em mim toda aquela adrenalina que me fazia surtar e reagir com luta ou fuga. Ainda existia um monte de situações que eu teria que resolver; mas escrevendo sobre meus medos em um caderno enxergando-os como meras ferramentas de sobrevivência, eu; pela primeira vez em minha vida, descobri que podia escolher: Sentir medo e sofrer apavorado e acabar me refugiando nos vícios; ou, regozijar-me na fé intensa recém-descoberta. Meditação para o dia: Admiti que sentia medo. Acreditei que Deus tem poder de remover o medo e me conceder coragem. E minha fé é meu antídoto contra o medo. Texto - S. B Quevedo do livro "Um dia de cada vez todos os dias" Narração - Christian Simon Edição - Tuco Silva Produção - Marta Lima © Videobes 2017