
Meus primeiros dias de programa de 12 passos foram muito confusos. Voltava às reuniões porque estava muito curioso como aquelas pessoas tinham passado por horrores muito piores que os meus e estavam tão sadias, tão equilibradas e bem-sucedidas. Se eles tinham conseguido e me diziam que eu também ia conseguir, valia a pena tentar. O que eu teria a perder? De qualquer forma era muito bom ter um lugar onde eu podia vomitar tudo o que tinha tido que esconder a vida toda. Podia falar das injustiças que sofrera e das besteiras que tinha feito. Podia chorar. Não precisava mais representar aquele papel de durão que suporta tudo. E meus companheiros continuavam me encorajando e me aceitando e compartilhando comigo tantas semelhanças de sentimentos sobre os quais somos severamente proibidos de mencionar. Sim, nos grupos temos essa liberdade de dizer tudo o que está trancado em nossa garganta que quase nos matou sufocados. Isso me lembra duma pérola da bíblia que diz: “E a verdade vos libertará”. A sensação de liberdade nos primeiros tempos foi muito importante. Mas eu sentia um nervoso de exatamente o que fazer com aquela recém-descoberta liberdade? Os passos deram uma consistência a meu plano de libertação. Um roteiro. Me disseram que cada um dos passos me traria um benefício específico e necessário à manutenção de minha sobriedade e serenidade. Eu já tinha revirado meu passado antes e morbidamente tinha todos os culpados. Mas agora era sugerido que eu conhecesse em que momentos eu participei de minha destruição. E como; e o quanto. Que defeitos de caráter eu tinha que me impediam de ter escolhas sadias? Como identificar meus defeitos e removê-los para ter o controle de minha vida recuperado? Me pareceu um trabalho hercúleo. Mas a sugestão recorrente era que eu fosse gentil comigo mesmo, e antes de começar minha investigação, eu deveria conceber uma força amorosa que me conduziria ao tesouro da serenidade. Meditação para o dia: O amor que me foi oferecido no grupo vem de alguma fonte. Hoje tento me conectar a essa fonte de amor abundante. Texto - S. B Quevedo do livro "Um dia de cada vez todos os dias" Narração - Christian Simon Edição - Tuco Silva Produção - Marta Lima © Videobes 2016