
Eu era um falastrão. Falava o tempo todo e não dava chance das pessoas dizerem uma palavra. Se tentavam argumentar comigo eu erguia a voz e me impunha sobre a outra pessoa até que ela desistisse do que estava pensando. Ninguém me convencia. Eu fazia tudo do meu jeito. Eu estava sempre certo. Eu sabia de tudo. E quando erravam comigo; tinha tolerância zero. E eu só conseguia pensar: Se eu era capaz de fazer tudo perfeito; como as pessoas tinham a safadeza de fazer errado comigo? Em recuperação, escrevendo meus inventários percebi que eu tinha expectativas irreais dos outros e de mim mesmo. Não tolerava o erro. Era obcecado por perfeição e frustrado. Muito frustrado. Os inventários feitos com honestidade para comigo mesmo; me fizeram lembrar muitas situações em que eu de fato havia errado. Meu julgamento dos fatos e das pessoas estava engessado em desculpas e justificativas, torcendo a realidade de minhas lembranças com o único objetivo de me isentar de erro. O resultado dessa forma de conduzir meu pensamento era que mesmo quando o erro era meu, eu me ressentia, e ficava furioso, frustrado com o que não podia controlar, com vergonha de ter errado; e finalmente com culpa; por saber que eu tentava ocultar meus erros. Mas isso tudo não era planejado pelo meu consciente. Eu só consegui alcançar esse conhecimento de minhas atitudes e pensamentos, quando comecei a praticar o lema: “Mantenha a mente aberta”. Essa sugestão; me ajudou muito a abandonar meus pensamentos e conceitos tão rígidos que as pessoas do bem não conseguiam penetrar pra me mostrar novos horizontes. E lentamente fui pedindo a Deus por tolerância e aceitação. E fui aceitando minha humanidade. E fui aceitando os fatos da vida; assim com calma; com a maturidade de aceitar que às vezes a vida não é como eu queria. Meditação para o dia: Sigo na fé de que quando as coisas não saem como eu queria; é porque Deus tem planos pra mim; que são muito melhores do que os meus. Texto - S. B Quevedo do livro "Um dia de cada vez todos os dias" Narração - Christian Simon Edição - Antônio Leal Produção - Marta Lima © Videobes 2017